Sala de Prensa


8
Junio 1999
Año II, Vol. 2

WEB PARA PROFESIONALES DE LA COMUNICACION IBEROAMERICANOS

A R T I C U L O S

   
   


Jornais eletrônicos feitos "a chumbo"

Toni André Scharlau Vieira *

Os sites de jornais impressos tradicionais (como a Folha de S.Paulo, O Globo, Estadão e até a Zero Hora) parecem estar refletindo a crise de identidade por que passa a imprensa brasileira. Crise que, em geral, afeta a imprensa escrita de toda o mundo. Como "clones eletrônicos" dos jornais impressos, os sites dos principais jornais do País se mostram lentos, não são práticos e pouco se diferem do conteúdo disponibilizado com antecedência pela televisão e rádios (o que aliás é um problema de algumas décadas no casos dos impressos).

Mesmo que se registre a juventude deste tipo de mídia, o que acaba ficando patente é a falta de estratégia e planejamento diante do novo meio. Claro que existem esforços consideráveis e avanços interessantes (o site do Estadão, por exemplo, é rápido e possui poucas ilustrações que demoram para carregar). Mas o grande problema não é o software, a linguagem java ou o uso de imagens em tiff, gif, jpg, htm, e sim a perda de leitores e de credibilidade/ rentabilidade.

Uma pesquisa da Pew Research Center for People and Press, divulgada em janeiro deste ano, em Londres, revela que os jornais online não são a principal fonte de notícias de grande parte dos usuários de Internet. Entre 3 mil internautas adultos, 41% afirmam que procuram na rede informações mais detalhadas sobre assuntos que já viram em outros veículos, principalmente na televisão a cabo. Outros 44% crêem que a Internet oferece um noticiário mais detalhado do que os jornais diários. Os usuários que perfazem este percentual (em torno de 40% levando-se em conta os dois resultados) certamente pouco lêem as edições impressas dos jornais e visitam muito esporadicamente os sites mantidos pelos "jornalões".

As empresas jornalísticas, no entanto, não parecem estar se preocupando com a opinião manifestada pelos leitores (pesquisas informais realizadas no Brasil indicaram resultados semelhantes aos do Reino Unido). Ainda que vivamos um período de crise econômica (mesmo que os jornais não reconheçam isto), as quedas de circulação ou mesmo o congelamento do número de exemplares vendidos, revelam que algo deveria ser alterado.

Conforme informação do Instituto de Verificação de Circulação (IVC) entre agosto e dezembro de 1998 a circulação dos principais jornais do Rio, São Paulo e Porto Alegre permaneceram rigorosamente iguais. Os dados foram divulgados na revista Mídia, Propaganda e Negócios de janeiro/fevereiro e de março/abril de 1999.

Os donos dos jornais sabem que é bem mais difícil mudar os leitores, alguns até prefeririam importar "exemplares suecos" (que estão entre os que mais lêem jornais no mundo), mas isto ficaria muito caro. O que parece estar fora de propósito mesmo é mudar o perfil editorial gráfico dos jornais. Conservadorismo ou teimosia, o fato é que os jornais vão perdendo leitores e os que consegue ganhar são atraídos apenas pelos "brindes", colecionáveis e outras ofertas e concursos. Muitos jornaleiros comentam, estupefatos, que alguns leitores compram o jornal mas só levam o "brinde", por sinal, um diário de Porto Alegre já está vendendo o seu colecionável diretamente, sem necessidade de adquirir o jornal. Mudaram de ramo (ou estão mudando!).

No caso das Home Page (ou da versão eletrônica ou ainda da versão online dos diários) se reproduzem vários problemas vividos pelo produto original, o impresso, acrescido das dificuldades de trabalhar com uma mídia diferenciada. Para começar, os jornais que se auto intitulam online, na maioria, não são. Isto é, a versão eletrônica da publicação só é disponibilizada de três a quatro horas após o fechamento da impressa e, muitas vezes, é liberada aos pedaços, a conta gotas.

Se uma das principais vantagens da Internet é a sua agilidade e a possibilidade de uma imediata consulta ao que está ocorrendo (online), qual o motivo para atrasar a oferta das informações via Rede? Há um custo muito alto poderão dizer alguns. Bem existem certos investimentos a fazer, mas nada de tão grandioso que não permita, pelo menos, disponibilizar os textos dos repórteres já aprovados pelos editores e, portanto, digitados no sistema.

Calcula-se que até 2006 o número de pessoas conectadas à Internet será superior ao de usuários de telefone. Para 2003 é possível prever uma movimentação financeira perto dos 3,2 trilhões de Dólares em termos de comércio eletrônico. São números nada desprezíveis, apesar da projeção que aponta 300 milhões de pessoas conectadas à Rede no ano 2000, o que representa apenas 5% da população mundial. De qualquer modo, estes internautas podem ser considerados como uma camada privilegiada de consumidores com poder aquisitivo e padrões de consumo acima da média geral.

As pessoas que estão pesquisando a Internet como fenômeno social ou ainda como uma das principais inovações tecnológicas da contemporaneidade, têm apontado a necessidade de se investir numa linguagem dirigida para o novo meio. Não se trata da criação de mais um manual, uma nova gramática do tipo "como escrever para a Internet em 30 lições", pelo contrário. A maioria das pessoas que estão se dedicando ao estudo do impacto da Internet sobre a sociedade se dão conta que o espaço possui características específicas muito mais no plano estético (como qualquer outra mídia) do que no teórico.

A questão é muito mais como apresentar a informação de qualidade que possuímos do que como obter beleza estética na apresentação do que temos para oferecer. Em poucas palavras: não se trata de "reinventar a roda". Mas não se pode perder de vista que, em muitos casos, a melhor solução é utilizar recursos antigos reorientados para a comunicação em um novo espaço.

Foi um pouco nesta direção que o presidente da Intel Corporation, Andy Grove, se manifestou aos membros e da Sociedade Americana de Editores de Jornais. Segundo ele os veículos estariam sucumbindo à avalanche de informações disponíveis na Internet. Os leitores/internautas já possuem condições de produzirem os próprios "furos jornalísticos" através da crescente democratização do acesso às fontes de informação. O presidente da Intel acredita que a saída é concentrar esforços e ampliar as coberturas "interpretativas", onde os fatos são trabalhados para que se mostre o contexto em que eles ocorreram ou estão ocorrendo.

É bem possível que os donos dos jornais não tenham gostado do que ouviram, nem mesmo Andy Grove (caso fosse um editor) gostaria de saber que (na interpretação de um empresário da informática) precisará investir ainda mais na qualidade profissional. Andy ficou rico e poderoso vendendo o que se pode chamar de capacidade artificial de processamento de informações, os processadores, que em certa escala substituem o trabalho humano e as despesas sociais que eles acarretam.

Para os donos de jornais não vai ser tão fácil. Como não inventaram o repórter robô e, ao que tudo indica, o super homem não existe, só resta a eles investir na contratação de bons profissionais que possam dar conta de "interpretar" os fatos contemporâneos e contextualizá-los. Este será o diferencial de qualidade que não só os milhões de internautas vão procurar, mas todos os membros da sociedade que consomem jornalismo, seja impresso ou eletrônico. Alguém pode dizer que isto é excesso de otimismo. Bem, esperemos que não seja.


* Toni André Scharlau Vieira é nascido em Sapucaia do Sul, RS, graduou-se em Comunicação Social - habilitação em Jornalismo pela Universidade do Vale do Rio do Sinos (Unisinos - São Leopoldo, RS). Mestre e doutorando pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Leciona na Universidade Luterana do Brasil (ULBRA - Canoas, RS) como professor adjunto do Curso de Comunicação Social. (Esta es su primera colaboración para Sala de Prensa.)


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