Sala de Prensa


8
Junio 1999
Año II, Vol. 2

WEB PARA PROFESIONALES DE LA COMUNICACION IBEROAMERICANOS

A R T I C U L O S

   
   


Revisão do livro / Reseña

O planeta mídia e a sociedade parabólica

Sergio de Souza

Vivemos em uma era da info-tele-computocracia onde um novo jogo de saberes e relações produz sistemas econômico-sociais muito singulares. As relações entre o homem e seu entorno, por exemplo -- outrora objeto das querelas de uma filosofia da História --, foram reduzidas ao par progresso-futuro fundado na militância iluminista de que a concepção de Ciência deve se restringir a um utilitarismo de resultados. É bom observar que Marx, no Manifesto Comunista, já assinalara que o pensamento burguês -- urdido nos propósitos da racionalidade instrumental -- havia profanado os valores éticos e engendrava um mercado que, em expansão contínua, invadia todos os espaços geográficos e culturais. Assim, as crenças do século XIX de que o progresso material emanciparia o Humano e de que a Razão iria liberar o pensamento de qualquer obscurantismo transmutaram-se em efetivos agentes da dominação. A essência desta instrumentalização do progresso está hoje espelhada na internacionalização crescente dos aparatos tecnológicos, sobretudo os compromissados com os sistemas informacionais e de teletransmissão. Estamos, na verdade, em uma civilização dos recursos técnico-operacionais sob a condição imperativa da máxima acumulação capitalista. E o senso comum vive então o otimismo de um mundo orientado pela ideologia da Grande Sociedade, organizada na abundância e na livre-troca, ratificando a farsa neoliberal do mundo único das múltiplas oportunidades. As técnicas, a cultura tecnológica e os modos de internacionalização do capital nos colocam, agora mais do que antes, frente a uma nova cartografia política.

O mais recente livro de Dênis de Moraes, O Planeta Mídia: tendências da comunicação na era global (Letra Livre Editora, 1998), pretende refletir, como pano de fundo, a essencialidade de tais questões, mas também oferece ao leitor uma rica investigação sobre os jogos de poder e as relações de intimidade existentes entre os pouco diferenciados senhores das enunciações mediáticas. Aliás, como pesquisador sequioso de ver reveladas as farsas montadas pelos novos impérios da informação, Dênis já havia observado, com preocupação, a multiplicação das fusões e concentrações que subscrevem a chamada sociedade da informação global. Na coletânea de ensaios que organizou faz pouco tempo, Globalização, mídia e cultura contemporânea (Letra Livre Editora, 1997), Dênis já antecipava que as profundas mutações ocorridas nas infosociedades indicavam que a sociedade tardocapitalista se reformulava para -- através das próteses produzidas pelo avanço das tecnologias de teletransmissão -- otimizar as suas performances sob o domínio do princípio da velocidade. Princípio transformado que foi na diretriz-chave da remuneração e acumulação do capital. Agora, em O Planeta Mídia, o autor retorna ao tema nos oferecendo um quase (o princípio da velocidade altera a cada segundo a face dos "territórios" diagnosticados) completo mapa sobre a nova ordenação dos setores tecnológicos -- informática, telefonia e televisão -- que se amalgamam na multimídia e na Internet. Essa mutação do capitalismo, a logística das alianças, o modo como se pode explorar o conhecimento e os embates competitivos das empresas gigantes convertidas em "senhoras do mundo" fazem dos nove capítulos do livro, segmentados em duas partes, um documento indispensável a qualquer leitor desejoso de compreender o que se passa nas esferas de um poder propalado como invisível.

Para tanto, Dênis nos faz ver que os atuais megaconglomerados se dispõem a nos arrastar para uma enervante espiral de sobreinformação produzida por empreendimentos comerciais que se entrelaçam internacionalmente, ao ponto de confundir cada um de nós e, portanto, obscurecendo a análise crítica. "A própria noção de informação", escreve Dênis, "não se cinge mais à idéia de notícia e embute concepções distintas: informação de base (base de dados, acervos digitais, arquivos multimídias), informação cultural (filmes, vídeos, jornais, programas televisivos, livros etc.) e know-how (invenções, patentes, protótipos etc.)". Vivemos, pois, numa complexa teia de relações cuja trama está em produzir uma rede de fluxos fundados em um conhecimento que só se torna possível através das tecnologias da informação. Estamos operando pela externalidade, pelo outro maquínico, o que nos obriga a repensar a própria natureza do saber contemporâneo.

Ao encerrarmos a leitura do livro de Dênis de Moraes, pelo qual se constata que a oligopolização da mídia e a concentração do entretenimento passam a ser os norteadores da atual "sociedade parabólica", fica uma grande indagação: pode-se ainda estabelecer a sempre desejada relação entre informação e objetividade num mundo onde os conglomerados mediáticos nos ofertam uma superabundância não controlada de dados e imagens? O autor indica que as desigualdades entre países industrializados, emergentes e subdesenvolvidos determinarão uma redefinição no interior das redes mundiais, com evidentes ganhos para a questão democrática, e que só através de efetivas pressões sociais será possível o controle dos conglomerados existentes. A solução está, pois, na formulação de um novo projeto de luta política que não nos deixe à sombra destes poderes tão sedutores e persuasivos. Quem lutar poderá então responder.


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