Sala de Prensa

42
Abril 2002
Año IV, Vol. 2

WEB PARA PROFESIONALES DE LA COMUNICACION IBEROAMERICANOS

A R T I C U L O S

   
   


2000-2001: Estudo comparativo entre os jornais o Estado de S. Paulo e o Estado de Minas

Quando a ciência é notícia

Rosângela Aparecida Reis Machado *

Quando a ciência é notícia 2000-2001 configura-se como pesquisa comparativa sobre o tratamento dado à ciência pelos jornais brasileiros, a saber: Estado de S. Paulo, de prestígio nacional, e o Estado de Minas, de importância regional. Realizada entre 24 a 30 de setembro de 2000, avalia o impacto das Olimpíadas e eleições municipais nos conteúdos então noticiados. Objetiva avaliar o quanto de ciência é divulgado e de que forma as matérias são veiculadas. Como decorrência, é possível identificar como a ciência se configura na mídia com a influência desses fatos e como se faz presente nas duas situações. Os resultados preliminares mostram o crescimento do número de matérias sobre ciência, no contexto brasileiro.

INTRODUÇÃO

O jornalismo científico constitui campo de estudo ainda pouco desenvolvido no Brasil. Sua emergência ocorreu no início da década de 70, quando o Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP) promoveu a vinda de Manuel de Calvo Hernando ao País, com a finalidade de ministrar curso de extensão universitária sobre o tema. Desde então, algumas iniciativas se verificaram no âmbito da pesquisa ou da reflexão teórica. No que se refere particularmente à pesquisa científica brasileira, como observa Melo (1986), ela não tem sido acompanhada, nos últimos 30 anos, pela intensificação, na mesma proporção, das atividades de divulgação de seus resultados. Particularmente notável é o nível de desconhecimento por parte da sociedade sobre as atividades de pesquisa desenvolvidas no Brasil.

O objetivo da pesquisa Quando a ciência é notícia 2000-2001... é acompanhar a prática da informação científica processada nos meios de comunicação impressos, que permitem realizar a ligação entre cidadãos e cientistas. Verificando que o jornal diário é um dos veículos privilegiados da relação entre os cidadãos e os diversos organismos e acontecimentos de escala mundial, decidimo-nos a pesquisar o noticiário científico no espaço do jornal diário, apreendendo sua significação jornalística e sua forma de expressão, com o objetivo de apontar o quanto de abordagem ou aprofundamento científico é utilizado na imprensa diária.

Essa pesquisa é fundamental para a nossa formação profissional, enquanto cientista social, pois possibilita observar como essa área do conhecimento é pautada pelos veículos de comunicação e sua freqüência. Nesse sentido, contribui para nossa reflexão, já realizada por grandes pensadores, se as Humanas são consideradas ciência ou não.

As conclusões, embora parciais, desta primeira parte da pesquisa, apontam um aumento do espaço editorial (centrimetragem) dedicado à área de ciência em r elação ao estudo realizado na década de 80, em todos os jornais pesquisados. A área de Humanas é a mais pautada em relação às outras áreas do conhecimento. Além disso, foi possível avaliar que os assuntos relacionados à área de ciência estão diluídos em todo o jornal, não estando necessariamente presentes na editoria de ciência, ao contrário da nossa hipótese inicial, de que a ciência estaria presente em uma editoria exclusiva. A pesquisa teve como proposta investigar de forma sistêmica, os jornais brasileiros e sua abordagem com a ciência. Tratou de entender, qualitativamente, a questão do conhecimento científico e de que forma essas informações foram veiculadas na mídia nacional.

METODOLOGIA

O estudo foi realizado segundo os pressupostos metodológicos oferecidos pela pesquisa: Quando a Ciência é notícia, produzida pelo Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA/USP, no período de 1984/86, sob a coordenação do Prof. José Marques de Melo. Foi utilizada a técnica de mapeamento, realizada pela centrimentragem, (altura x número de colunas) para a mensuração, interpretação e análise das edições e a pesquisa comparativa. Deste modo, foi possível identificar onde e de que modo a divulgação científica acontece na mídia impressa brasileira e verificar as características dos diferentes jornais. Nesse sentido, podemos aferir qual é a imagem que a imprensa faz da ciência e como o conhecimento científico é colocado ao alcance do público leigo através dos textos jornalísticos.

O corpusda pesquisa foi formado pelas edições dos jornais da semana de 24 a 30 de setembro de 2000 por ser uma semana atípica, influenciada pelos Jogos Olímpicos e pelas eleições municipais.

A observação recaiu sobre as unidades redacionais que relatam fatos vinculados ao mundo da ciência. Adotamos um conceito abrangente de jornalismo científico, não restrito às ciências exatas ou biológicas, mas a todas as áreas que divulguem suas pesquisas, tais bem como centros de pesquisa e universidades.

As indagações fundamentais que nortearam a pesquisa foram:

Qual a natureza da notícia científica?

Que protagonistas dão sentido ao noticiário científico?

Quais as fontes que nutrem o noticiário científico?

Através de que gêneros jornalísticos a ciência se torna notícia?

Quais os limites entre a informação e a opinião no noticiário que privilegia os fatos científicos?

O ESTUDO PROJETADO: ANÁLISE COMPARATIVA DOS JORNAIS O ESTADO DE SÃO PAULO E O ESTADO DE MINAS

Escolhemos esses dois jornais ­ O Estado de São Paulo e o Estado de Minas­ para análise comparativa porque ambos são expressivos nas suas respectivas cidades e, principalmente, porque o primeiro é um jornal de prestígio nacional e o segundo é representativo de uma região geográfica brasileira. Pretendemos, dessa forma, verificar o que os diferencia na abordagem científica, quando inseridos num projeto maior.

O Estado de São Paulo

O Estado de S. Paulo destaca-se como jornal de porte nacional devido a sua significativa capacidade de captação de notícias e ao seu alto nível de circulação. Fundado em 4 de janeiro de 1875, pelos jornalistas Américo de Campos e Francisco Rangel Pestana, com o nome de A província de São Paulo, tinha como objetivo enfrentar o regime monárquico e a escravidão, a favor da liberdade e da justiça. Essa proposta ganhou novas dimensões, quando o advogado Júlio de Mesquita passou a integrar a redação do Jornal disseminando suas idéias sobre as grandes questões nacionais.

Com a proclamação da República, passou a se chamar O Estado de SãoPauloe, em 1891, Júlio Mesquita tornou-se seu diretor. No final da primeira década do século 20, chegou a uma tiragem de 30 mil exemplares. Durante a gestão de Mesquita, passou por modificações profundas, que incluíram desde a montagem de uma rede nacional de notícias, da qual surgiu a Agência Estado, até as reformas gráficas que deram uma face mais moderna às páginas. Além disto, em 1988, sua redação foi totalmente informatizada. De acordo com pesquisa realizada nos Estados Unidos da América do Norte (EUA), publicada pela Universidade de Columbia, O Estado de São Paulofoi apontado como um dos 20 melhores jornais do mundo.

Atualmente, é composto por seis cadernos: Caderno 1 (Principal), que corresponde à parte de notícias internacionais e política; Caderno 2, que abrange a área de Cultura; Caderno Cidades, que discute os acontecimentos cotidianos de São Paulo e região, Caderno de Economia; Caderno de Esportes e Caderno de Classificados, que circula três vezes por semana. Excepcionalmente, pelo fato de a pesquisa ter sido realizada na última semana anterior às eleições municipais, O Estado de São Pauloelaborou o Caderno de Eleições, com os dados das pesquisas de opinião de todo o País e os principais pontos e questões levantados pelos candidatos ou pela agenda política. O Estado de São Pauloapresenta 12 suplementos semanais, a maior parte, no formato tablóide.

Os resultados da pesquisa indicam que ciência e tecnologia (C&T) ocupam um total de 7,28% do total da superfície impressa do Jornal. Trata-se de um espaço ainda pequeno em comparação à superfície total do jornal, totalizando, durante a semana pesquisada, 195.056cm, enquanto o espaço ocupado pelo jornalismo científico é de 15.132cm.

A cobertura científica realizada não tem caráter autônomo, no sentido de ocupar um lugar próprio e definido na superfície impressa. As informações científicas encontram-se dispersas nas suas editorias. Noutra perspectiva, a presença significativa dos suplementos semanais, que divulgam matérias temáticas, revela que eles são os que melhor organizam e articulam a cobertura científica. Tal observação pode ser confirmada se compararmos a tabela III (Distribuição de C&T pelo espaço editorial) e a tabela XII (Distribuição por áreas de conhecimento). A tabela III mostra que as matérias sobre C&T estão mais presentes em outras editorias (31%) do que as de política (22%), economia (23%), esportes (0,5%) e cultura (22%), ou seja, não estão agrupadas num caderno específico, mas espalhadas pelo conjunto da superfície do Jornal. Como evidencia a tabela XII, as áreas de conhecimento menos encontradas nas edições diárias, como é o caso de agrárias (10%) e computação (2%), são mais expressivas nos dias em que são abordadas nos suplementos semanais e, especificamente, na forma de tablóides, como é o caso do Suplemento Agrícola, veiculado às quartas-feiras.

A editoria de Economia é a que mantém um padrão constante de divulgação científica, principalmente porque suas matérias são, na maioria das vezes, fundamentadas em pesquisas de universidades ou sociedades científicas. A editoria de Política também manteve uma constância na cobertura científica, fator influenciado pelas eleições municipais, pois nela foram divulgadas, diariamente, as pesquisas de opinião dos institutos de pesquisa. Em contrapartida, a editoria de Esportes não apresentou cobertura científica, mesmo influenciada pelos Jogos Olímpicos.

Segundo os dados da pesquisa, no que se refere ao gênero informativo do Jornal, a notícia (33,31%) e a reportagem (27,94%) mantêm expressão quantitativa muito próximas. Nos gêneros opinativos, embora a resenha (11,68%) se destaque quantitativamente devido a uma matéria da edição de Domingo que mereceu três páginas, é o artigo (10,81%) que vem imediatamente depois, que melhor representa esse gênero jornalístico por estar presente em todas as edições da semana do Jornal.

No que se refere às fontes da informação científica, é expressivo o papel da universidade (27,78%), seguida imediatamente pelas instituições governamentais (26,5%). Expressiva é a presença da empresa privada (23,94%), que se destacou principalmente devido às eleições municipais com as pesquisas de opinião.

De acordo com os resultados obtidos, O Estado de São Pauloenfatiza as personalidades (93,62%) como protagonistas dos acontecimentos científicos, notadamente os pesquisadores (73,94%). Os políticos vêm em seguida (16,96%), dado que pode ter sido influenciado pelas eleições municipais. Numa outra perspectiva, observa-se que os protagonistas institucionais (6,38) que mais se destacam são os centros de pesquisa (4,76%), enquanto é inexpressiva a presença dos órgãos governamentais de fomento/financiamento de pesquisas.

Em relação às áreas de conhecimento que mais apresentam informação científica, as humanidades 62,60%) predominam, enquanto que a participação das ciências da vida ­ biológicas (0,7%) e saúde (4,6%) ­ é reduzida.

No que tange à origem da informação científica, predominam as matérias de origem nacional (74,07%) e, particularmente, o que se nota é a informação regional, ou seja, a maior proporção do espaço é ocupada por informações que se originam na própria área geográfica de São Paulo (36,17%), onde se edita O Estado de São Paulo. O resto do Brasil é pouco significativo na cobertura científica. Também o jornal veicula maior informação procedente da Europa (12,31%) e da América do Norte (10,07%), enquanto que a presença da América Central (0,13%) é praticamente inexistente.

O Estado de Minas

O Estado de Minas, considerado o mais importante jornal de Minas Gerais por veicular notícias de todo o Estado mineiro e de âmbito nacional e também devido ao seu alto nível de circulação, foi fundado em 7 de março de 1928, pelos jornalistas Juscelino Barbosa, Álvaro Mendes Pimentel e Pedro Aleixo. Surgiu com uma proposta política de oposição ao então prefeito de Belo Horizonte, Christiano Monteiro Machado. Os fundadores adquiriram o Diário da Manhã, que circulou com esse nome até 31 de dezembro de 1927. Desde sua fundação, o Estadoteve três presidentes: Pedro Aleixo, Pedro Agnaldo Fulgêncio e Paulo Cabral de Araújo.

O Estado de Minas é composto por cinco cadernos: Caderno 1 (Principal), que corresponde à seção de notícias internacionais, política e economia; Caderno Gerais, que discute os acontecimentos cotidianos de Belo Horizonte e região, bem como, assuntos diversos sobre a área de ciência e saúde; o Caderno Espetáculo, uma publicação de cunho cultural, e o Caderno de Classificados.

Excepcionalmente, pela pesquisa ocorrer na semana anterior às eleições municipais e durante os Jogos Olímpicos, o Estado de Minaselaborou o Caderno de Eleições, com os dados das pesquisas de opinião do País e os principais pontos e questões levantados pelos candidatos ou pela agenda política e o Caderno Olimpíadas noticiando os acontecimentos dos jogos. Apresenta, ainda, 12 suplementos semanais, no formato de tablóide e standard.

De acordo com os dados da pesquisa, C&T ocupam 4,97% do total da superfície impressa do Jornal. A editoria exclusiva de C&T apresentou 0,69% desse total, política 0,72%, esportes 0,03 ­ o que é praticamente inexistente ­ e, outras temáticas representa 2,25% desse total, o que evidencia que a ciência não está articulada num caderno específico, mas espalhada pela superfície do Jornal.

Em relação ao formato jornalístico, a reportagem (27,97%) e a notícia (27,63%) aparecem igualmente no gênero informativo, que ocupa 70,43 do espaço de C&T no Jornal e, no gênero opinativo (29,57%), destacam-se os artigos (15,93%). A descrição jornalística convencional (97,74%) é constante e a autoria é totalmente jornalística. A universidade (28,77%) destaca-se como a principal fonte das matérias científicas. A empresa privada também tem participação significativa (25,50%), o que tem influência das pesquisas de opinião concernentes às eleições municipais. Em relação aos protagonistas, predominam as personalidades (96,82%), notadamente os pesquisadores (72,39%). Entre as instituições (3,18%), as entidades beneficiárias da pesquisa (1,47%) são as que mais aparecem.

Como esperado, o estado que mais articula as matérias é Minas Gerais (76,03%), localidade onde se edita o Estado de Minas e a América do Norte (8,57%) destaca-se nas matérias internacionais. A participação internacional é de apenas 11,94% e a nacional, de 88,06%. Esses dados confirmam a hipótese inicial de que as matérias são, em sua maioria, de origem nacional e, principalmente, vinculadas à localidade onde os jornais são editados.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os meios de comunicação são os principais veículos para a divulgação científica. Assim, é importante investigar a mídia impressa brasileira, mapeando o quanto divulga sobre ciência e de que forma esse conteúdo é veiculado. Para tanto, empregamos o método comparativo, por sua eficácia na compreensão das estruturas midiáticas conjunturais e contextuais.

A pesquisa mostra que a divulgação científica ainda não tem lugar privilegiado no conjunto da superfície impressa. A cobertura científica aparece espalhada aleatoriamente nas editorias dos jornais. Os suplementos semanais, em contrapartida, aparecem como peças fundamentais para a divulgação da informação científica de O Estado de São Paulo, porque, ao tratarem de temas específicos, voltados para um público particular, apresentam uma abordagem mais científica dos assuntos, o que permite que o jornalmantenha certa constância na divulgação da informação científica.

As eleições municipais interferiram diretamente em alguns resultados, como a participação da empresa privada enquanto fonte da informação científica e a presença significativa dos políticos como personalidades protagonistas, que tiveram uma posição privilegiada devido às pesquisas de opinião. Ao contrário das eleições, as Olimpíadas foram inexpressivas no que tange à informação científica, limitando-se à descrição das competições.

Constatamos que oEstado de Minasmantém relação estreita com as universidades, principalmente com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Observamos a divulgação de defesas de teses da universidade, matérias sobre pesquisas em andamento e, também, a própria existência do suplemento semanal Gabarito, que trata de assuntos universitários, tanto de lazer quanto de pesquisas. Essa aproximação do Estado de Minascom a UFMG é fundamental para o jornal manter certa freqüência na divulgação científica.

No período pesquisado, percebemos que houve aumento do número de matérias cientificas em relação ao estudo pioneiro realizado na década de 80 pela equipe da ECA/USP, coordenada pelo Prof. Dr. José Marques de Melo.

REFERÊNCIAS

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ORTIZ, R. A moderna tradição brasileira. 3. ed. São Paulo: Brasiliense, 1991..
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PIGNATARI, D. Signagem da televisão. São Paulo: Brasiliense, 1994.


* Rosângela Aparecida Reis Machado (UNICAMP/LABJOR). INTERCOM ­ Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. XXIV Congresso Brasileiro da Comunicação ­ Campo Grande /MS ­ setembro 2001.


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