Sala de Prensa


38
Diciembre 2001
Año III, Vol. 2

WEB PARA PROFESIONALES DE LA COMUNICACION IBEROAMERICANOS

A R T I C U L O S

   
   


O fetiche da velocidade
no jornalismo do "tempo real"

Sylvia Moretzsohn *

RESUMO: O trabalho utiliza um conceito básico da teoria marxista para procurar demonstrar o papel do jornalismo na fetichização da velocidade. Para isso, apresenta sumariamente o contexto no qual a imprensa se constitui como atividade industrial e sua interação no processo de percepção de "aceleração do tempo" que marcou a entrada na modernidade. A seguir, analisa a transformação que se opera na prática jornalística na era do "tempo real", em que a contradição estrutural entre informar com precisão e rapidez tende a ser "resolvida" pela eliminação de um de seus termos, pois a instantaneidade se erige como valor absoluto. Conclui pela necessidade de se retomar o exercício da crítica na busca de um jornalismo capaz de assumir seu papel na formação da cidadania.

A imagem recorrente foi sintetizada nos filmes policiais americanos dos anos 30: rotativas trabalhando freneticamente, despejando jornais que rodopiam até o close fechado sobre a manchete, a informação chegando veloz e simultânea aos quatro cantos do mundo, isto é, dos Estados Unidos - imagens superpostas de jornais de Nova Iorque, Chicago, Boston, Baltimore, noticiando um assalto espetacular, uma chacina estarrecedora, e finalmente o alívio pela prisão dos criminosos. Forma de arte própria da "era da reprodutibilidade técnica", significativamente inaugurada com uma cena emblemática dos tempos modernos - a locomotiva chegando à estação, ameaçando romper a tela e invadir a sala escura -, o cinema ajudou a fixar a idéia de que a imprensa trabalha sob o signo da velocidade. Ou melhor, de que a velocidade é uma característica da imprensa.

A competição pela busca da "notícia em primeira mão" ajudou a compor essa idéia de dinamismo: meninos jornaleiros saem às ruas apregoando edições extras, efeitos sonoros vibrantes despertam o ouvinte para notícias curtas e rápidas, vinhetas alertam o espectador para o bombardeio de imagens. Notícias de última hora: tudo é urgência. É a ideologia da velocidade e do progresso, que, no dizer de François Brune, nos leva a aceitar como positivo tudo que anda depressa1.

De fato, a velocidade é uma característica do capitalismo, o que pode ser entendido através da conhecida definição de Marx: "economia de tempo: a isto se reduz finalmente toda economia". Desse modo, tornam-se claros não apenas a importância da consideração do tempo do trabalho social para a definição do valor, mas também o caráter central do significado social do tempo no estudo das atividades humanas.

A lógica do capital tende a ser estendida a todos os aspectos da vida social, num processo de naturalização que lhes retira o sentido histórico. A perspectiva marxista procura recuperar esse sentido buscando a materialidade das relações sociais. No caso que aqui nos interessa, permite esclarecer o vínculo quase automático que se estabelece entre jornalismo e velocidade, através da reconstituição do caminho de formação da imprensa como atividade industrial, sua afirmação como produto de massa e sua interação no processo de percepção de "aceleração do tempo" que marcou a entrada na modernidade. De acordo com a mesma fundamentação teórica, procuraremos demonstrar que o jornalismo expressa exemplarmente o fetiche da velocidade sob o qual vivemos: o principal "valor notícia" é chegar na frente do concorrente, e alimentar o sistema com dados novos, num continuum vertiginoso a pautar o trabalho nas grandes empresas de comunicação.

Essa abordagem permite ainda apontar o quanto se altera o sentido da prática jornalística, que, empresarialmente, sempre viveu a contradição de tentar conciliar velocidade e precisão, de acordo com a promessa tradicional de dar "a verdade em primeira mão": o grito de "parem as máquinas!" resumia a idéia de subordinação da rotina industrial à força da notícia, tomada como valor supremo e única justificativa para a existência da imprensa. Agora, na era do "tempo real", essa contradição tende a se agravar, e a se "resolver" pela eliminação de um dos termos do problema - a necessidade de veicular informações corretas e contextualizadas -, pois "qualquer explicação serve" para sustentar a notícia transmitida instantaneamente.

A imprensa nos trilhos do capital

O conceito de fetichismo da mercadoria é suficientemente conhecido: Marx o definiu como o processo através do qual os bens produzidos pelo homem, uma vez postos no mercado, parecem existir por si, como se ganhassem vida própria, escondendo a relação social que lhes deu origem2. Na base desse processo está a reificação operada pelo capital, que se condensa na definição do valor de troca da mercadoria, no qual a relação entre o trabalho necessário para a produção de um bem e esse mesmo bem se torna qualidade objetiva do produto. Assim, uma relação social estabelecida entre seres humanos aparece como uma fantasmagórica relação entre coisas. Daí o fetiche, que leva a perceber como naturais, objetificadas, as relações sociais.

Vários estudos demonstram o caráter de mercadoria que a notícia assumiu desde os primórdios do capitalismo. Marcos Dantas lembra que

[o] fato de Marx ter baseado sua análise da acumulação capitalista na apropriação da mais-valia da força de trabalho simples obscureceu a importância - logo, o valor - que o capital sempre deu à informação. Já no século XIII, os banqueiros e grandes comerciantes sustentavam redatores profissionais nas diferentes capitais européias e mediterrâneas para que periodicamente lhes enviassem relatórios sobre fatos políticos, bélicos ou comerciais que pudessem afetar, positiva ou negativamente, os negócios. Nesses relatórios encontra-se a origem remota do moderno jornalismo3.

Marcondes Filho aponta a importância do jornal como instrumento do capitalismo para a circulação mais rápida de mercadorias e para que "as informações sobre exportações, importações e movimento do capital chegassem mais depressa e mais diretamente aos componentes do circuito comercial"4. Assim, como nota Habermas, "a circulação de notícias desenvolve-se não somente em conexão com as necessidades da circulação de mercadorias, as próprias notícias tornam-se mercadorias"5. Desde a origem, portanto, a produção de notícias estará sujeita às leis do mercado. Habermas considera, porém, que só se pode falar propriamente de jornalismo quando as notícias passam a ser produzidas empresarialmente, quando "o noticiário regular torna-se público e, melhor: acessível ao público em geral", o que ocorre apenas em fins do século XVII.

A definição da notícia como mercadoria permite a aplicação do conceito marxista de fetiche em dois sentidos principais. Primeiro, no aspecto mais visível, relacionado à idéia de que "os fatos falam por si", tais como aparecem no jornal, ocultando o processo de produção de sentido. Depois, na relação que a imprensa estabelece com o público, conferindo à notícia aquilo que Marcondes Filho chamou de "aparência de valor de uso"6. O caráter fragmentário da informação jornalística seria um dos aspectos dessa fetichização. Genro Filho, porém, considera este um lugar-comum da crítica, pois a percepção do mundo jamais se dá de forma integrada: é o processo de conhecimento que realiza esse trabalho7. Portanto, o problema não estaria na fragmentação, mas nas maneiras pelas quais esses fragmentos são reunidos.

No entanto, o autor aparentemente esquece por um momento a concepção dialética na qual baseia toda a sua formulação teórica, ao argumentar que a idéia de fragmentação e reificação diz respeito ao conteúdo e não apenas à forma, pois forma e conteúdo não existem separadamente. Além disso, parece conferir uma excessiva ênfase às potencialidades das novas técnicas do jornalismo e à força esclarecedora dos fatos que são dados à luz.

A idéia de fluxo, de um movimento no qual os atores aparecem diretamente em ação, muitas vezes instantaneamente, as infinitas possibilidades de combinação das informações jornalísticas que saturam o meio social, tudo isso oferece enormes possibilidades para a negação da reificação ao invés de reforçá-la inexoravelmente8.

Certamente as "infinitas possibilidades de combinação das informações jornalísticas" permitem pensar em igualmente infinitas interpretações dos fatos noticiados, mas valorizar por si a irrupção dos atores sociais na cena jornalística é esquecer todo o processo de construção da notícia; particularmente, valorizar a instantaneidade colabora para reforçar um outro fetiche, exatamente o que criticamos aqui: o fetiche da velocidade.

A aceleração do tempo

No início do século XIX a imprensa incorpora as novidades técnicas que surgem no campo das comunicações para a produção maciça de jornais9. É um processo que corre paralelo às transformações provocadas pela revolução industrial, criando o ambiente no qual se desenvolverá a percepção de aceleração do tempo e, consequentemente, a formulação do conceito de "compressão espaço-temporal", ou "efeito de encolhimento", tantas vezes referido pelos estudiosos da cultura contemporânea.

Esse "encolhimento" progressivo, resultante da superação de barreiras espaciais em graus cada vez maiores, significaria a própria "supressão" do espaço, em conseqüência do processo que torna possível a transmissão de informações em "tempo real". A imagem recorrente é a de McLuhan e sua triunfalista "aldeia global", celebrizada em meados dos anos 60, embora, pelo menos desde a invenção do telégrafo ótico, em fins do século XVIII, a idéia de compressão espacial esteja presente10.

Radicalizada na era das redes, a percepção de aceleração do tempo dá margem à formulação do conceito de "tempo real", ou "tempo intemporal", como prefere Castells11, semelhante ao "tempo instantâneo" ou "tempo sem tempo" explorado num dos workshops do NTC (Centro de Estudos e Pesquisas em Novas Tecnologias, Comunicação e Cultura) da USP, sobre "tempo real e espaço virtual": tempo que, segundo conceituação de Edmond Couchot, tem outra natureza e não se refere à noção clássica do tempo que passa, da vida prática, mas existe numa relação quase instantânea com a máquina12.

Pierre Lévy ressalta que esse tempo, instaurado pela informática, baseia-se no funcionamento de uma estrutura de banco de dados que não está programada para acumular informações, e sim para disponibilizar a versão mais atual "a um cliente com crédito". Assim, "não se trata tanto de difundir as luzes junto a um público indeterminado, mas sim de colocar uma informação operacional à disposição dos especialistas".

A noção de tempo real, inventada pelos informatas, resume bem a característica principal, o espírito da informática: a condensação no presente, na operação em andamento. O conhecimento de tipo operacional oferecido pela informática está em tempo real13.

Trata-se, portanto, de um tempo "técnico", plenamente adequado ao "cassino global" da "sociedade em rede" de que fala Castells, ajustado à volatilidade do capital financeiro, e que procura ditar o ritmo de todas as atividades humanas. É o que Marcos Dantas chama de "lógica do capital informação", que exige uma fluidez cada vez maior (pois "informação não se estoca") e se viabiliza pelas tecnologias digitais, que reduzem a informação a sequências de zero e um.

Assim, o tempo do mercado financeiro dita a regra que pode ser sintetizada na expressão rush or perish - a rapidez é a condição da sobrevivência, sem que, entretanto, se saiba em que sentido é preciso ser rápido. O abalo provocado pelo jogo especulativo de um operador do banco Barings, em 95, e a chamada "crise asiática" de 97, são dois exemplos recentes das consequências a que pode chegar um sistema em que num segundo fortunas são feitas ou perdidas.

A velocidade auto-valorizada

No campo da comunicação, essa "irracionalidade" aparente passa a fazer sentido se tomarmos a análise de Mattelart, para quem "a comunicação serve, antes de mais nada, para fazer a guerra"14. E é fundamentalmente a guerra o tema de estudo de Virilio: a guerra e sua lógica, suas relações com a política e a velocidade. O tom de seus textos é claramente apocalíptico, o que justifica críticas como a de Negri, condenando o que chama de "concepção terrorista da mídia", associada à imagem "de uma rajada de metralhadora que se abate sobre o espectador - alvo miserável de um poder onipresente - e o aniquila". A consequência seria o imobilismo diante de uma situação sem saída, "uma visão reificada e intransitiva da vida política que se traduz por: não se pode fazer nada! Impossível escapar a essa escravidão!", confirmando-se assim a sacralidade do poder "nessa novíssima modernidade"15.

A justeza da crítica não deve, porém, retirar a importância de aspectos essenciais dos estudos em questão, mesmo porque é a partir deles que será possível contrastar o triunfalismo dos postulados do "pensamento único" atualmente vitorioso. Assim, é fundamental ressaltar a abordagem de Virilio sobre o tempo real, encarado como um componente essencial do complexo militar-informacional contemporâneo que impõe à sociedade uma noção de informação como algo puramente estatístico16. Assim, a informação não quer dizer nada, existe por si. O autor praticamente explicita o conceito de fetiche páginas adiante, associando-o exatamente à atividade jornalística:

O ciberespaço, ou, mais exatamente, o "espaço-tempo cibernético", surgirá dessa constatação, cara aos homens de imprensa: a informação só tem valor pela rapidez de sua difusão, ou melhor, a velocidade é a própria informação! 17

Assim, mais do que notícia, consome-se velocidade:

A velha fórmula segundo a qual a informação é praticamente a única mercadoria que não vale mais nada ao fim de vinte e quatro horas merece portanto reflexão. No século XIX e no início do XX, em pleno auge da imprensa, trata-se (...) menos de "produzir informação" do que de antecipá-la, de alcançá-la em movimento, para finalmente vendê-la antes que seja literalmente ultrapassada. Os assinantes passam a comprar menos notícias cotidianas do que adquirir instantaneidade, ubiquidade ou, em outras palavras, compram sua participação na contemporaneidade universal, no movimento da futura cidade planetária18.

Algumas dessas precipitações são muito antigas e entraram para o anedotário do jornalismo. Uma das mais famosas gerou a ironia de Mark Twain, que, ao ler seu próprio obituário no jornal, em 2 de junho de 1897, reclamou à Associated Press: "A notícia sobre a minha morte foi muito exagerada".

A imposição do "tempo real"

Essas considerações indicam que as contradições entre, de um lado, uma estrutura que favorece a precipitação e a aposta em prognósticos como valor de atualidade e, de outro, o respeito a regras que exigem um distanciamento (e, portanto, alguma desaceleração) para a apuração rigorosa da notícia, é tão antiga quanto a própria constituição da imprensa como atividade industrial. Basta citar os slogans do rádio: bem antes do início da era do "tempo real", a respeitada Rádio JB prometia "o fato no ato"; a pequena Bandeirantes extrapolava, dizendo-se "a rádio que antecipa o fato". Nos meios impressos, um experiente editor carioca certa vez deu a definição cínica: "jornalismo é pintar de preto papel branco". O que é mais ou menos a mesma coisa que reiterar uma das velhas máximas incluídas no folclore da profissão: notícia é o que se publica entre anúncios.

O importante agora será perceber como a lógica do "tempo real" afeta a prática do jornalismo como um todo, radicalizando a "corrida contra o tempo" que sempre marcou a profissão. Como argumenta Ramonet, a "nova utopia tecnológica" é a internet e sua possibilidade de interligar o mundo com informações em tempo real e fluxo contínuo, exatamente como opera o mercado financeiro. E, se a maioria dos grandes jornais, no mundo todo, já pertence a megagrupos de comunicação, não há como analisar a prática do jornalismo fora desse contexto19.

De fato, a incorporação dos serviços on line pelos grandes jornais acabou com a vantagem que o repórter de jornal impresso poderia ter em relação ao que trabalha em meios eletrônicos: se antes havia condições de retornar à redação para redigir a matéria até o horário de fechamento, hoje é preciso fornecer flashes para o serviço "em tempo real" do jornal e, quando for o caso, também para boletins radiofônicos, como ocorre no jornal carioca O Globo.

Eric Klinenberg deu conta do alcance desse processo ao estudar a Tribune Company, conglomerado midiático de ponta que opera com as tecnologias de informação mais avançadas e que, além do Chicago Tribune, publica três jornais regionais, possui uma rede de televisão, quatro estações de rádio, uma editora, investe em jornais on line, guias, patrocínio de eventos esportivos, etc. Segundo o pesquisador, "a polivalência midiática autoriza um modo de produção no qual cada mídia procura utilizar os produtos das outras para melhorar sua oferta", e melhorar também a produtividade: com a contração do mercado de jornais e a intensificação da concorrência na televisão e na internet, a Tribune redefiniu o papel dos repórteres a fim de que eles pudessem trabalhar em várias mídias ao mesmo tempo. Resultado:

os jornalistas trabalham mais; dispõem de menos tempo para realizar suas entrevistas e para escrever; produzem informações mais superficiais. Quando, nos anos 70 e 80, sociólogos americanos estudaram as condições de trabalho dos jornalistas, mostraram que a pressão do tempo pesava sobre a produção da informação e, consequentemente, diminuíam a qualidade, particularmente na televisão. Essas observações datam de uma época em que os jornalistas trabalhavam com um objeto determinado e para uma única mídia20.

A análise específica do ritmo e dos resultados do trabalho nos serviços jornalísticos on line mostra a falácia da promessa de se garantir agilidade sem se descuidar da precisão. No minucioso relato sobre sua experiência como estagiária num desses serviços, Mariana Mainenti Gomes aponta de saída a questão fundamental: um repórter de agência de informações on line é avaliado pelo número de flashes ou "notas" que é capaz de passar para a redação - ou, utilizando o jargão do meio eletrônico, por sua "capacidade de alimentar o sistema".

A orientação para o repórter é nunca ficar com informação ‘parada’: ao receber uma notícia, deve automaticamente repassá-la. O repórter pode ir atrás dos detalhes depois mas, antes, deve divulgar o material que acabou de receber. É muito frequente, no entanto, que isto [a busca de detalhes, e mesmo a checagem] não aconteça. Para se apurar uma notícia é preciso um mínimo de tempo - e muitas vezes o volume de releases, balanços de empresas e documentos que chegam à mesa do repórter, e cuja divulgação tem de ser feita o mais rapidamente possível, não permite a apuração de mais detalhes sobre a notícia divulgada inicialmente21.

Não é preciso dizer que esse processo facilita o controle das fontes sobre o noticiário e as possibilidades de utilizá-lo para lançar, com mais frequência e eficácia do que já ocorre nos veículos impressos, os chamados "balões de ensaio" - informações fabricadas especialmente para testar a reação do público diante da hipótese de ocorrência daquele fato, apresentado, entretanto, como verdadeiro e até já consumado.

Além disso, a imagem de velocidade que o jornalismo on line carrega consigo sugere a possibilidade de oferta de informações novas a cada instante. É uma ilusão fácil de comprovar, como atestou a atual ombudsman da Folha de S. Paulo, Renata lo Prete, ao comentar o noticiário sobre a contusão do jogador Ronaldinho em seu retorno ao futebol, em Roma: textos praticamente idênticos, oriundos de basicamente dois tipos de fontes - as agências internacionais, além da única brasileira especializada em esporte, "e a rapinagem pura e simples entre sites e das reportagens de rádio e TV". Ao fim do artigo, uma observação que indica a ironia da promessa de "informação instantânea": "Um exame atento revela o segredo de boa parte da internet: despachos da Reuters, um serviço noticioso de 149 anos de idade"22.

Essa ironia tornou-se flagrantemente evidente na comédia de erros em que se transformou o noticiário sobre as eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2000. Como se sabe, as principais redes americanas de TV anunciaram apressadamente a vitória de George Bush, no que foram acompanhadas por boa parte dos jornais impressos, que, em sucessivas edições extras, ora afirmavam o nome do vencedor, ora duvidavam da informação. Na origem de tantos equívocos estava o recurso a uma única fonte, a Voter News Service, à qual se conferia credibilidade automática. Assim, é falso o título do Jornal do Brasil que, em 9 de novembro, afirmava: "Corrida pela notícia gera confusão nos EUA". Pois, se a fonte era a mesma para todas as redes, não se tratava de uma corrida pela notícia, mas de uma corrida pela corrida, uma corrida pela velocidade.

A velocidade como "utilidade pública"

É significativo, porém, que o JB tenha escolhido aquele título: afinal, tratar-se-ia de um dos inúmeros "erros" que a imprensa comete diariamente na luta pela informação. Ossos do ofício, portanto. É o que indica, aliás, o argumento contido no projeto editorial da Folha de S. Paulo: "subordinado a um regime de pressa que faz parte de sua utilidade pública, o jornalismo está sujeito a erros e distorções, raramente premeditados"23.

Em primeiro lugar, cabe destacar que, se as justificativas para erros sucessivos são as rotinas de trabalho (o sempre aludido "regime de pressa"), e se a cada erro sucede um outro igual, é bem provável que haja algo errado com as próprias rotinas. Mas dificilmente o tema é abordado dessa forma, talvez porque essa abordagem traga implícita a pergunta: "que fazer?". O vazio de alternativas imediatamente realizáveis - pois qualquer uma implicaria uma mudança estrutural de longo prazo - é convenientemente tomado como indicativo de que não há saída, bem ao estilo do "pensamento único" atualmente vitorioso: ou este mundo ou nenhum outro. E os erros continuam se sucedendo e, pior, seguem sendo tomados como tais - erros, portanto eventualidades corrigíveis, lapsos momentâneos, descuidos involuntários, desvios de uma rota segura, e não como parte constitutiva do processo geral.

Em segundo lugar - e naturalmente abrindo mão de discutir se algo que é por definição involuntário (o erro) pode ser premeditado, ou de sugerir que o erro faz parte da atividade humana em geral, submetida ou não ao "regime de pressa" -, seria muito saudável perguntar por que esse "regime de pressa" faz parte da utilidade pública do jornalismo.

Schudson diria falaciosa uma afirmação desse tipo. Ao perguntar-se "por que essa ênfase em obter a matéria minutos ou segundos mais rápido que o concorrente deveria ser tão engrandecedor do jornalismo", ele indica que os jornais, antes de se preocuparem com o seu público, preocupam-se com os concorrentes24. Daí o "fetichismo do presente" em que vivem os jornalistas. No entanto, o autor avalia ser esta uma situação típica do jornalismo americano, que não se reproduziria obrigatoriamente, nem com a mesma intensidade, em outros modelos de jornalismo.

A ressalva desconsidera, portanto, que a busca do instantâneo é a regra da atividade jornalística empresarial, pela própria lógica do sistema. E não apenas um "valor cultural" construído no contexto de uma determinada sociedade, um cânone estabelecido por uma categoria profissional inserida nessa determinada sociedade e regida por "um relógio cultural, um sutil e não declarado acordo (...) a respeito do que é oportuno e sobre o que é genuinamente novo"25.

Especialmente nesses tempos globalizados, em que a velocidade parece adquirir um valor em si, seria mais apropriado dizer que essa noção de urgência é o grande fetiche da vida (pós) moderna. Um exemplo é o conflito entre o tempo da justiça e a pressão (especialmente da mídia) por uma rapidez confundida com eficiência, que traduz necessariamente o tempo lento como morosidade relacionada à incompetência ou à má fé26. A situação pode ser ilustrada por uma tira humorística de Wiley na série Non sequitur, republicada pelo Globo, que mostra o réu perplexo no tribunal, paralisado diante de uma roleta na qual se alternam as sentenças "culpado" ou "inocente". Observando a cena, o juiz comenta: "Qual é o problema? Não foi você mesmo quem fez questão de um julgamento rápido?"

Bem a propósito, Janio de Freitas consegue levantar o véu da dúvida e apontar o descalabro ali onde outros só viam obviedades ou positividades, mostrando o quanto de absurdo havia na rapidez com que, num dado momento da política brasileira, os parlamentares estavam votando os projetos no Congresso. A imprensa era quase unânime em saudar aquele ritmo de trabalho, aparentemente revelador do grande esforço dos deputados, mas que significava algo profundamente negativo: que projetos decisivos para a vida do país estavam sendo apreciados com total ligeireza.

"Sem tempo para pensar"

A associação automática entre o fazer (a prática jornalística) e o modo de fazer (correndo contra o relógio) encerra um paradoxo. Pois é o "regime de pressa" que torna natural a afirmação, recorrente no meio profissional, de que o jornalista "não tem tempo para pensar". Ora, se considerarmos o argumento de que o "regime de pressa" faz parte da "utilidade pública" do jornalismo, e se por utilidade pública entendermos a tarefa de "tornar a notícia mais compreensível em seus nexos e articulações" (como também consta do projeto editorial da Folha), é inevitável concluir que a "utilidade pública" é sistematicamente desatendida pelo "regime de pressa".

Uma propaganda do Globo veiculada pela TV em meados dos anos 80 exibe exemplarmente esse sentido de utilidade pública, apresentada por um ator que vai se transformando em vários personagens (executivo, jovem hippie, piloto de automóveis, cantor, atleta, etc.) conforme a alteração computadorizada das roupas e do cabelo que usa, a indicar a diversidade do público do jornal:

Um jornal não pode se limitar à publicação das principais notícias. Tem que ver, mostrar tudo. Mais do que isso, tem que analisar as causas e consequências de cada notícia. Pensando bem, um jornal não se faz só de notícia. Se faz de pensamento. Registra diariamente a evolução das idéias, hábitos e costumes. Um jornal é a história de seu tempo.

Um jornal se faz de pensamento, é a história de seu tempo, mas os jornalistas não têm tempo para pensar.

Na verdade, esse "não pensar" revela uma forma muito particular de um "pensar automatizado", perfeitamente coerente com o objetivo de "alimentar o sistema" e associado à lógica das tecnologias digitais, que reduzem a informação a sequências de zero e um.

Isto é o que a imprensa realiza melhor: matérias adequadas, que têm antecipadamente seus pontos finais, e cujos pontos finais resultam de possibilidades simples, binárias - a eleição ou o jogo será ganho ou perdido, o índice Dow-Jones vai subir ou descer, o acusado será julgado culpado ou inocente, o criminoso foi preso ou está à solta, o paciente sobrevive ou morre, a criança está desaparecida ou foi encontrada. Temas mais complexos do que estes - o orçamento, por exemplo -, se devem ser cobertos com eficiência, são traduzidos em oposições binárias do tipo: o presidente vai sair vitorioso ou será derrotado pelo Congresso27.

O que significa uma outra alternância binária em termos de valor: se é veloz, é bom; se é lento, é mau.

Caberia, porém, uma ressalva: não são os temas que são simples ou não; a rigor, todas as notícias poderiam ser exploradas em sua complexidade. Fatos criminais, jornalísticos por excelência - pois representam o desvio mais ou menos violento à norma - poderiam ser abordados no seu potencial crítico a essa mesma norma, pois "o desviante não é aquele que lê a norma diferentemente, mas é o que lê na norma aquilo que ela quer ocultar"28. No entanto, os conflitos são simplificados a partir dos estereótipos ("bandidos" versus "cidadãos de bem"), reproduzindo o senso comum a respeito e deixando ilesa a estrutura radicalmente segregadora e violenta da própria sociedade que produz o crime.

Mas o que vale sublinhar na análise de Schudson é exatamente o processo de simplificação do mundo operado todos os dias pela imprensa. Assim, a pretexto de trazer o novo, o jornalismo acaba reproduzindo o mesmo. As implicações políticas e ideológicas são muito claras.

Durante meus quase 20 anos de trabalho na chamada imprensa popular - jornal Notícias Populares, de São Paulo - vi muitos colegas, imbuídos dos mais nobres propósitos, tentarem explicar ao trabalhador como seria possível sustentar uma família ganhando salário mínimo. Certamente os papéis estavam trocados nessa relação. Eles aprenderiam muito mais abrindo seus ouvidos aos trabalhadores do que dando voz a qualquer alquimista de plantão em algum órgão econômico do governo29.

Evidentemente, a situação não se resolveria com uma simples mudança de atitude, que certamente confrontaria os interesses do jornal, solidário a um sistema que impõe tais níveis de salário. Mas o importante é perceber como a busca da informação instantânea ajuda a manter interesses hegemônicos. Por isso é raro levantar uma dúvida como a que João Sayad expôs certa vez, ao comentar os métodos usuais na cobertura econômica:

Andam dizendo que tal instituição vai quebrar. Sim, é verdade, andam dizendo aquilo. Mas será verdade o que andam dizendo? Ou é verdade que andam dizendo mentiras?30

Tampouco seria imaginável uma pergunta como a do então prefeito Negrão de Lima, relatada com humor por Carlos Heitor Cony:

Quando Negrão de Lima tomou posse na prefeitura do antigo Distrito Federal, despachou com um apavorado auxiliar da área da saúde: "Senhor prefeito, o Rio tem atualmente 2,5 milhões de ratos, um para cada habitante!". Negrão solidarizou-se com o pavor do secretário. "É muito rato!" Tirou os óculos e, mais espantado do que antes: "Como é que vocês conseguem contar os ratos?"31

O retrocesso pré-renascentista

Embora aponte a internet como "a nova utopia tecnológica", Ramonet considera que o caminho para o que ele chama de "virada na história da informação" (substituindo-se o compromisso histórico de "dizer a verdade" pela eleição da instantaneidade como valor supremo) foi preparado nos anos 80, pelas grandes redes de TV.

Se a televisão assim se impôs, foi não só porque ela apresenta um espetáculo, mas também porque ela se tornou um meio de informação mais rápido que os outros, tecnologicamente apta, desde o fim dos anos 80, pelo sinal dos satélites, a transmitir imagens instantaneamente, à velocidade da luz32.

De fato, o resultado pode ser verificado todos os dias nas redações de jornal: editores colados no vídeo, sobressaltados a cada chamada do telejornal, perguntando aos repórteres: "temos isso?" - e conferindo credibilidade automática ao que é veiculado ali, a ponto de alterar o texto produzido originalmente pelo profissional de sua própria equipe.

Este é um dos aspectos do que Ramonet chama de "mimetismo midiático", essa "imitação delirante" através da qual "os diferentes meios de comunicação se auto-estimulam, superexcitam uns aos outros, multiplicam cada vez mais as ofertas e se deixam arrastar para a superinformação numa espécie de espiral vertiginosa, inebriante, até a náusea33.

Uma superinformação que leva à cegueira pelo excesso de luz, como na epidemia que Saramago imaginou, na qual, aos poucos, todos passavam a ver "tudo branco"; é o "mito da transparência" que orienta o trabalho jornalístico, no dizer de Marcondes Filho:

Tudo deve ser exposto até se queimar. Como nas antigas películas de cinema ou nos projetores de slides sem sistema de refrigeração, a exposição excessiva de um diagrama queima o filme, fazendo-o desaparecer. No jornalismo, a exposição, depois a superexposição de pessoas, fatos, acontecimentos, provoca um processo social de "queima" do fato, na medida em que as notícias excessivamente veiculadas tornam-se inócuas, não provocam mais nenhum efeito, conduzem ao seu total esquecimento. O excesso é a forma mais eficiente de extermínio da coisa e de seu total apagamento da memória34.

A exploração de escândalos e denúncias dá bem a medida da situação: o trabalho é orientado no sentido de obter impacto, entrando num círculo vicioso em que um escândalo abafa o precedente, embora raramente os fatos ali narrados sejam confirmados ou tenham outro desdobramento além de prejudicar os envolvidos. O aluvião de denúncias tem esse efeito narcotizante: banaliza-se o escândalo, de modo que já não se distingue o que é importante e pode ter graves consequências do que é periférico ou simplesmente exagerado.

A ênfase no "ao vivo", além de reduzir o tempo da análise e da reflexão, cria o efeito de que todos, repórteres e público, são testemunhas oculares da "história em movimento". Ramonet aponta aí o retorno à idéia pré-iluminista (de fato, pré-renascentista) de que "ver é compreender".

Não obstante, a racionalidade moderna, desde o século XVIII, com as Luzes e a revolução científica, desenvolveu-se precisamente contra essa idéia. Não são os olhos e sentidos que permitem compreender, é a razão, só ela. Enquanto os sentidos enganam, o cérebro, o raciocínio, a inteligência, são mais confiáveis. Portanto, o sistema atual só pode conduzir à irracionalidade ou ao erro35.

O autor cita o programa No comment, da Euronews, como o mais emblemático dessa nova situação em que as imagens parecem dizer tudo: ali não há, de fato, lugar para nenhum comentário. E lembra o slogan da CNN, "slow news, no news", para demonstrar que o que importa é a velocidade.

A verificação empírica do trabalho da imprensa permite perceber que o ritmo alucinante de trabalho da redação não se justifica como tentativa de apreender o "tempo do mundo", "naturalmente" veloz. Contardo Calligaris dá um bom exemplo para mostrar que não é assim:

A CNN inventou a cobertura 24 horas. E, em uma série de circunstâncias, já ficou aparente o quanto ela é precária. Me lembro, por exemplo, de Christiane Amanpour em Belgrado, na noite dos primeiros bombardeios na Sérvia. De onde ela estava não dava para ver ou ouvir quase nada. Mas, a cada 20 ou 30 minutos, ela aparecia para repetir o mesmo nada. A cobertura 24 horas idealmente exige que as notícias possam ser colocadas em dia de maneira significativa a cada hora. Às vezes, o mundo vai mais devagar do que isso 36.

Mas a concorrência, a necessidade de ser o primeiro e o mais espetacular - com o consequente aumento de receita publicitária - leva ao paradoxo apontado por Bernard Langlois: "quanto mais se comunica, menos se informa, portanto mais se desinforma"37.

É o mesmo paradoxo que está no cerne da preocupação com a instantaneidade, auto-justificada porque a transmissão direta cria a "ilusão de verdade". Daí, diz Langlois, o importante para o sistema (de radiodifusão) não é tanto o que vão dizer seus enviados especiais; é que estejam lá.

Luiz Fernando Veríssimo sintetizou essa imagem num desenho de uma série publicitária para a Rede Globo: um alpinista chegando exausto ao monte Everest, uma conquista supostamente inédita, salvo pela presença, já no cume da montanha, de um cinegrafista e um repórter da emissora, apontando para ele o microfone e a câmera. O verdadeiro protagonista, portanto, é a mídia. Tem-se aí novamente o fetiche: "trata-se de demonstrar que a máquina ‘comunica’, e não que ela informa".

Conclusão

Bem antes da interação multimídia, ainda quando as novas tecnologias estavam sendo consolidadas na imprensa brasileira, Sérgio Augusto apontou a irracionalidade desse processo em relação ao que seriam os objetivos clássicos do jornalismo.

Ao saber que a Folha havia comprado novos equipamentos que aumentariam a capacidade e a velocidade de impressão do jornal, um repórter perguntou se a redação ganharia mais tempo para fechar a edição. A resposta foi não. Moral da história: o último benefício que a moderna tecnologia trouxe à redação foi o computador. Cada vez mais o jornal é um produto que, antes de ser bom, precisa ser rápido para chegar mais cedo que os concorrentes às mãos do leitor38.

O fetiche da velocidade fica mais claro no jornalismo impresso, porque o "tempo real" seria inevitavelmente o tempo de ontem. A distribuição do "jornal de domingo" às duas da tarde de sábado é o exemplo mais eloquente e visível dessa tentativa de se afirmar uma imagem de agilidade que chega a se antecipar ao próprio tempo. Afinal, a circulação de um jornal à tarde poderia ser apenas uma retomada da experiência dos velhos vespertinos. Mas admiti-lo soaria insuportavelmente anacrônico. Assim, muda-se a data no cabeçalho e, magicamente, o presente passa a ser também o futuro. Hoje já é amanhã.

Na pesquisa comparativa que desenvolveram em 1979 sobre a informatização no jornalismo impresso e a influência das novas tecnologias na França, na Grã-Bretanha, nos Estados Unidos e na Escandinávia, Dominique Wolton e J.-L. Lepigeon verificaram o entusiasmo da maior parte dos entrevistados diante do que previam ser uma revolução na imprensa e na própria informação. Vinte anos depois, Wolton observa que essas mudanças técnicas, embora consideráveis, não representaram a revolução anunciada, "uma nova concepção da informação e do jornalismo". Tomando por base o ideal clássico do jornalismo, o autor apresenta sua crítica ao discurso que projetava mudanças positivas no setor:

Hoje, com a onipresença da informática e de todos os meios técnicos mais sofisticados, não parece que a informação e a imprensa tenham mudado muito do ponto de vista do conteúdo e de seu papel. Isso demonstra uma vez mais que uma inovação técnica, por forte que seja, não leva consigo, mecanicamente, uma transformação profunda do conteúdo das atividades. Não apenas o tempo técnico não é o tempo social, mas sobretudo a mudança técnica gera problemas novos, inesperados, que não estavam presentes nos famosos discursos premonitórios. (...) Todos esses fracassos deveriam fazer refletir, mas nada foi feito. (...) Mais que compreender que as sociedades não evoluem no ritmo das inovações técnicas, fala-se de "resistência à mudança" e de medo do futuro. (...) Tudo menos pôr em dúvida essa urgência do tempo e essa confusão entre tempo técnico e tempo social39.

Desfazer essa associação parece um bom ponto de partida para a formulação de alternativas ao jornalismo dominante hoje. Diante das críticas aqui expostas, a primeira reação provavelmente será indagar sobre sua aplicabilidade ao modelo atual; trata-se de perguntar, porém, se esse modelo serve para os propósitos que ele próprio anuncia: fornecer as informações indispensáveis para a formação de cidadãos. Do contrário, aquelas rotativas trabalhando freneticamente nos filmes de gângster dos anos 30 continuarão plasmando a imagem da urgência como valor fundamental de uma imprensa que preserva e reproduz o fetiche da velocidade na era do "tempo real".

_______
NOTAS

1 François Brune. "L’idéologie d’aujourd’hui", in Manière de Voir (hors-série), Le Monde diplomatique, março de 1997, p.11.

2 Cf. Karl Marx e Fredrich Engels. "El carácter fetichista de la mercancía y su secreto". El Capital, tomo I, vol. 1, Mexico, Siglo XXI, 1978.

3 Marcos Dantas. A lógica do capital-informação. Rio de Janeiro, Contraponto, 1996, p. 23.

4 Ciro Marcondes Filho. O capital da notícia - jornalismo como produção social da segunda natureza. São Paulo, Ática, 1986, p. 56.

5 Jürgen Habermas. "Do jornalismo literário aos meios de comunicação de massa", in Marcondes Filho (org), Imprensa e capitalismo. São Paulo, Kairós, 1984, p. 13

6 Marcondes Filho. O capital da notícia, cit., p. 30.

7 Adelmo Genro Filho. O segredo da pirâmide - para uma teoria marxista do jornalismo. Porto Alegre, Tchê!, 1987, p. 211-212.

8 Idem, p. 211.

9 Nelson Werneck Sodré. História da imprensa no Brasil. Rio de Janeiro, Graal, 1977, p. 3.

10 Paul Virilio. A arte do motor. São Paulo, Estação Liberdade, 1996, p. 42

11 Manuel Castells. A era da informação: economia, sociedade e cultura, vol. 1 - A sociedade em rede. São Paulo, Paz & Terra, 1999.

12 Cf. "Tempo real e espaço virtual". Atrator Estranho nº 17, São Paulo, NTC/ECA/USP, outubro de 1995.

13 Pierre Lévy. As tecnologias da inteligência - o futuro do pensamento na era da informática. Rio de Janeiro, 34, 1993, p. 115.

14 Armand Mattelart. Comunicação-mundo - história das técnicas e das estratégias. Petrópolis, Vozes, 1994, p. 10.

15 Antonio Negri. "Infinitude da comunicação/finitude do desejo", in André Parente (org.), Imagem-máquina - a era das tecnologias do virtual. Rio de Janeiro, 34, 1993, p. 173.

16 Virilio, op. cit., p. 109.

17 Idem, p. 122. Grifos do autor.

18 Idem, p. 49.

19 Ignacio Ramonet. A tirania da comunicação. Petrópolis, Vozes, 1999, p. 7-8.

20 Eric Klinenberg. "Les journalistes à tout faire de la presse américaine". Le Monde Diplomatique, fev. 1999, p. 7.

21 Mariana Mainenti Gomes. A engrenagem do tempo real - relato de uma experiência no jornalismo on line. Projeto experimental em jornalismo. Niterói, IACS/UFF, março de 2000.

22 Renata lo Prete. "Tudo igual ponto com", Folha de S. Paulo, 16 de abril de 2000.

23 Cf. Projeto Editorial 97, Folha de S. Paulo, 17 de agosto de 1997.

24 Michael Schudson. "When? Deadlines, datelines, and history". in Robert Karl Manoff e Michael Schudson. Reading the news. New York, Pantheon Books, 1986, p. 81.

25 Idem, p. 82.

26 Salete Maria Polita Maccalóz. O Poder Judiciário, os meios de comunicação e a opinião pública. Tese de doutorado, ECO-UFRJ, agosto de 2000

27 Schudson, op. cit., p. 99. Grifo nosso.

28 Antonio A. Serra. O desvio nosso de cada dia - a representação do cotidiano num jornal popular. Rio de Janeiro, Achiamé, 1980, p. 23.

29 José Luiz Proença, in Claudia Santiago e Vito Gianotti, Comunicação Sindical - falando para milhões. Petrópolis, Vozes, 1997, p. 9

30 João Sayad. "Notas sobre a imprensa". Folha de S. Paulo, 12 de fevereiro de 1993

31 Carlos Heitor Cony. "Ratos e salários". in Folha de S. Paulo, 10 de janeiro de 1998.

32 Ramonet. op.cit., p. 26.

33 idem, p. 21.

34 Marcondes Filho. A saga dos cães perdidos. São Paulo, Hacker, 2000, p. 21.

35 Ramonet. op. cit., p. 62.

36 Contardo Calligaris. "A mídia carpideira". Folha de S. Paulo, caderno Ilustrada, 22 jul 1999, p. 8.

37 Apud Ramonet, op. cit., p. 102.

38 Sérgio Augusto, in Geraldinho Vieira. Complexo de Clark Kent - são super-homens os jornalistas? São Paulo, Summus, 1988.

39 Dominque Wolton., op. cit., p. 271-272

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BIBLIOGRAFIA

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Artigos em jornais:

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CONY, Carlos Heitor. "Ratos e salários". Folha de S. Paulo, 10 de janeiro de 1998.

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SAYAD, João. "Notas sobre a imprensa". Folha de S. Paulo, 12 de fevereiro de 1993.


* Sylvia Moretzsohn es maestra en comunicación por la Universidade Federal Fluminense, donde también es profesora de periodismo del Departamento de Comunicación Social. Es colaboradora de Sala de Prensa.


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