Sala de Prensa


33
Julio 2001
Año III, Vol. 2


WEB PARA PROFESIONALES DE LA COMUNICACION IBEROAMERICANOS

A R T I C U L O S

   


Um general conta sua história

Perfil biografico de Nelson Werneck Sodré

Josias Ricardo Hack *

Nelson Werneck Sodré é um personagem atuante da História Brasileira que sempre manteve urna atitude crítica para com a realidade social, econômica, política e cultural do Brasil. Sua prática no cenário das Ciências Humanas e Sociais trouxe contribuições teóricas e metodológicas importantes para os pesquisadores destas áreas do conhecimento.

O perfil aqui apresentado, percorre rapidamente a vida do autor, observando seu envolvimento com a carreira militar, bem como sua paixão pela História. Também será apresentada a relação dos livros publicados por Sodré, procurando identificar os mestres que influenciaram seu pensamento e os discípulos que se destacaram através da aprendizagem direta com o autor. Por fim, se fará urna análise da contribuição de Werneck Sodré para o pensamento comunicacional.

O trabalho na íntegra, que originou este artigo, foi produzido para a disciplina “História das Ciências da Comunicação” , ministrada pelo professor Dr. José Marques de Melo durante o primeiro semestre de 1997, no Mestrado em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), na cidade de São Bernardo do Campo (SP).

I. QUEM É NELSON WERNECK SODRÉ: HISTÓRIA DE VIDA

“Um autor é a imagem daqueles
que ele freqüenta.[ ...] Hoje
só leio bons livros”.

Nelson Werneck

Seu pai chamava-se Heitor de Abreu Sodré e nasceu na cidade de Rezende (RI). No ano de 1907, Heitor formou-se em direito pela Faculdade de Direito de São Paulo, exercendo posteriormente a função de Coletor Federal em uma cidade do interior de São Paulo, chamada Caçapava. A mãe de Nelson era Amélia Werneck Sodré, que nasceu em São Gonçalo do Sapucaí (MG) e ocupava-se dos serviços domésticos. Amélia e Heitor casaram-se no ano de 1907.

Nelson Werneck Sodré era filho único e nasceu em 27 de abril de 1911, no Rio de Janeiro. Passou sua infância em dois lugares: Rio de Janeiro e Caçapava. Morou na companhia de seus pais até os 12 anos de idade e desde cedo sua diversão era a leitura, pois seu pai o incentivava muito. Aplicava-se à leitura dia e noite, sendo que sua mãe era quem cuidava em apagar as luzes para que viesse a descansar.

Após estudar os primeiros anos em uma escola pública na Muda da Tijuca, no ano de 1922, aos 11 anos, foi internado no colégio Ginásio Brasileiro de Copacabana. Durante esse período de sua infância, leu quase todos os livros de Júlio Verne, nas edições portuguesas, e apreciava também os contos infantis de Figueiredo Pimentel. Também foi em Copacabana que teve o seu primeiro contato com a carreira militar, devido à revolta de 5 de julho de 1922.

No início do ano de 1924 sua mãe providenciou a matrícula no Colégio Militar do Rio de Janeiro, estabelecimento onde permaneceu durante os sete anos do colegial, estudando as matérias básicas do nível secundário, com excelentes professores. Também foi no Colégio Militar que começou a estabelecer vários laços de amizade e companheirismo. Logo que foi internado, Nelson completou 13 anos e, neste momento, sua carreira já estava pré-estabelecida.

Dentro do Colégio Militar, teve predileção pela disciplina História, devido às lições que recebera do professor Isnard Dantas Barreto, que Sodré considera o melhor mestre que conheceu. Suas aulas avançavam em assuntos como higiene sexual, reprodução e doenças venéreas. O que também se destacava em Isnard era sua irreverência com respeito aos horários, toques de cometa e hierarquia formal, fatores que muitas vezes prejudicavam o professor, com atritos devido a pequenas coisas. Quanto à abordagem de Isnard sobre a História, em sala de aula, Werneck a caracteriza da seguinte forma:

“Ele a retirava do museu, da nomenclatura enfadonha, da anedota singular, da estática dos quadros apresentados como natureza morta. Dava-lhe movimento colorido, atração e, no fundo e essencialmente, razão, isto é, aquilo que provém da análise. Nesse sentido, era o único que cumpria a função do magistério, que é ensinar a pensar” (SODRÉ, 1986:36).

No ano de 1929 aumentaram as despesas com a manutenção de seus estudos e, assim, Sodré resolveu tomar urna atitude para amenizar a situação dos pais. Como só havia a possibilidade de um trabalho noturno, iniciou uma experiência no Jornal do Comércio, onde fazia a revisão. No entanto, a experiência durou pouco tempo.

Após concluir o curso do Colégio Militar, no ano de 1930, Sodré passou à Escola Militar do Realengo, no dia 09 de abril de 1931. Ali, o cotidiano era dividido da seguinte forma: durante a manhã, exercícios físicos e a tarde era dedicada aos ensinos teóricos. As aulas ficavam praticamente limitadas ao ensino das matérias relacionadas com a matemática e podiam ser resumidas em polígrafos, que eram considerados a fonte do saber.

Na Escola Militar existia a “Sociedade Acadêmica”, que correspondia à “Sociedade Literária” em um colégio. No ano de 1933, o gaúcho Rui Mostardeiro foi escolhido para presidir a Sociedade e convidou Nelson Werneck1 para dirigir a Revista da Escola Militar2. Sodré aceitou o desafio e proporcionou algumas modificações no periódico, que o tornaram mais acessível, tendo boa repercussão nos jornais e meios intelectuais onde circulava.

No final de 1933, concluiu o curso da Escola Militar e, no ano de 1934, foi destinado ao 4o Regimento de Artilharia Montada, em Itu (SP). Lá permaneceu como aspirante ao oficialato durante seis meses; depois de decorrido esse prazo, foi promovido a segundo-tenente.

Seu casamento com Yolanda Frugoli (Sodré) aconteceu no dia 02 de fevereiro de 1935, na cidade de Itu, onde morava a noiva. No ano seguinte, Nelson recebeu promoção e tornou­se primeiro-tenente. Nesse período, escrevia para o Correio Paulistano duas vezes por semana e começava a despontar como escritor. Em 1937, foi convidado pelo general José Pessoa, para ser seu ajudante-de-ordens, no Rio de Janeiro. Permaneceu nessa função até 08 de abril de 1939, quando voltou novamente para Itu (SP).

No ano de 1941, o coronel Otávio Saldanha Mazza convidou Werneck Sodré para auxiliá-lo na organização da Escola Preparatória que seria fundada em São Paulo. No dia 06 de dezembro desse mesmo ano, nascia a filha única do casal Nelson e Yolanda: Olga Regina Frugoli Sodré. Ainda em 1941 seria promovido a capitão.

Com o ambiente mundial agitado devido à II Guerra Mundial, Sodré embarcou rumo à Bahia no ano de 1942, onde permaneceu durante um ano e meio. Apesar das dificuldades começou a se preparar para o concurso que iria realizar, na tentativa de entrar para a Escola de Comando e Estado Maior. O resultado do concurso chegou à Bahia no final de 1943 e lhe foi favorável; em janeiro de 1944 veio a ordem para apresentar-se no Rio de Janeiro.

Sodré relata, em seu livro Do Tenentismo ao Estado Novo, que, quando ingressou na Escola de Estado Maior, o estabelecimento atravessava um de seus melhores momentos, sob o comando do coronel Sabóia Bandeira de Meio. No primeiro ano, o currículo apresentava, além das disciplinas militares, matérias como: Inglês, Espanhol, História do Brasil e Sociologia. Nos demais anos, os estudos eram totalmente voltados para assuntos puramente militares.

Em 1946, quando estava no terceiro e último ano do curso, assumiu o comando da Escola o General Tristão de Alencar Araripe, que dava uma relevância bastante significativa aos problemas culturais. Até esse momento, Sodré já tinha publicado vários livros, inclusive durante os anos em que estava cursando a Escola de Estado Maior3. Sendo assim, Araripe o via com bons olhos e, por consequência, sua posição na turma passou a se destacar.

No ano de 1947, quando já havia concluído o curso, foi convidado para ser professor na Escola de Comando e Estado Maior, onde permaneceu até 1950 como chefe do Curso de História Militar.

No dia 17 de maio de 1950 foram realizadas as eleições para o Clube Militar, ganhando a chapa Estillac Leal/Horta Barbosa a qual convidou imediatamente Nelson Werneck Sodré para ser o diretor do Departamento Cultural. Até esse momento, a carreira de Sodré havia sido ascensional; no entanto, devido a sua posição favorável ao monopólio estatal do petróleo, começaram a surgir pressões que iriam, cada vez mais, causar situações delicadas.

Como o Clube Militar havia assumido uma postura nacionalista, as ofensivas dos militares reacionários eram constantes e as mais diversas. Como forma de desmobilizar o Clube Militar, Sodré foi afastado da Escola de Comando e Estado Maior, devido a sua posição política.

Nelson foi transferido da capital (Rio de Janeiro) para o 5o Regimento de Artilharia, na cidade de Cruz Alta, no Rio Grande do Sul, onde permaneceu durante cinco anos. A permanência em Cruz Alta fora uma espécie de exílio; no entanto, logo estava adaptado às atividades e já desempenhava papel de destaque no Regimento.

No final de 1954, Estillac Leal foi designado para a Inspetoria Geral do Exército e para seu chefe de gabinete escolheu o coronel José Carlos de Moura e Cunha. Moura e Cunha apresentou a Sodré a intenção de incluí-lo no Estado Maior da Inspetoria Geral do Exército. Apesar da relutância inicial, principalmente por parte da esposa4, Nelson aceitou o desafio e, no dia 26 de abril de 1955 apresentou-se no Rio de Janeiro. No entanto, no dia 1o de maio morreu o general Estillac. O substituto foi o general Euclides Zenóbio da Costa. Enquanto Moura e Cunha resolveu deixar o seu cargo, Sodré ainda permaneceu por algum tempo.

Em 1956, Nelson Werneck iniciou seu trabalho no vespertino Última Hora, onde escrevia a seção literária e os editoriais. Também, nesse ano, passou a integrar a Comissão Diretora da Biblioteca do Exército.

Nesse período da História brasileira em que começava a reação contra os nacionalistas, Nelson Werneck Sodré tinha sob sua responsabilidade uma página do jornal nacionalista O Semanário. Também foi, em 1955, que iniciou suas atividades como professor do Instituto Superior de Estudos Brasileiros, instituição que contava com a desaprovação dos militares reacionários.

Sodré já havia sido promovido a coronel. No entanto, sua situação tornava-se cada vez mais delicada. Na tentativa de golpe político praticada pelos ministros militares, ocorrida logo após a renúncia de Jânio Quadros, no segundo semestre de 1961, Nelson tomou posição contrária aos ministros e, devido a esta atitude, foi preso e interrogado durante dez dias.

Como a transferência para Belém, contrária a sua vontade, estava certa, Sodré resolveu passar à reserva, no posto de General, pois possuía o curso de Estado Maior. Mesmo após uma conversa com o então presidente da República, João Goulart, Nelson resolveu manter sua posição, caso sua transferência para Belém não fosse anulada. Dessa forma, passava para a reserva no início do ano de 1962.

Já afastado de suas funções militares, Nelson Werneck entregou-se totalmente ao exercício do magistério no Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), bem como à atividade intelectual de escritor. No ISEB, passou a exercer a função de chefe do Departamento de História, onde permaneceu até a extinção do Instituto, em 1964, como um ato inicial da ditadura militar. Segundo depoimento de Sodré: “foi a fase melhor de minha atividade no magistério e na produção intelectual, quer na cátedra, quer escrevendo na imprensa e escrevendo livros. Meus melhores livros datam dessa época”.

Na manhã do dia 31 de março de 1964, Sodré começou a sentir que o clima político do país estava diferente e tudo indicava que um golpe estava na iminência de acontecer. Amigos do ISEB tentaram demonstrar que a situação não era amedrontadora; no entanto, ao chegar em casa, Nelson preparou algumas roupas e dinheiro, decidindo abandonar a casa e procurar um refúgio.

A princípio ficou escondido no apartamento de seus assistentes do ISEB, no bairro Jardim Botânico; depois de outras mudanças, foi parar em uma fazenda de parentes na cidade de Fernandópolis, interior de São Paulo. Com seus direitos políticos já cassados por dez anos, apesar de nunca ter pensado em concorrer à eleição para algum cargo público, Sodré foi encontrado na fazenda e preso por autoridades do DOPS paulista, no dia 26 de maio de 1964.

Depois de passar por São Paulo, foi enviado ao Rio de Janeiro, onde ficou preso para interrogatórios durante 57 dias. A maior parte dos dias de prisão ficou encarcerado na fortaleza de Santa Cruz, onde a biblioteca era relativamente numerosa, possibilitando então a leitura como passatempo. A liberdade chegou na segunda-feira, dia 20 de julho, às 21 horas.

Segundo o relato de Sodré em seu livro Do Estado Novo à Ditadura Militar, estar em casa não significava a plena liberdade, pois o clima permanecia tenso. Em muitos momentos aconteciam buscas domiciliares, longos interrogatórios, bem como a ordem para não se afastar do Rio de Janeiro era bastante clara. No entanto, Nelson Werneck reconhece que sua condição de general assegurava um tratamento que não podia ser comparado com o que sofriam os civis nas mãos da polícia política.

Um fato curioso, também relatado em suas memórias, aconteceu pouco tempo depois de ter sido posto em liberdade. Um antigo companheiro de armas, que era secretário do Instituto de História e Geografia Militar, procurou-o para ver se tinha intenção de assumir a cadeira no Instituto, para a qual havia sido eleito no período em que morava em Cruz Alta (RS). Aceitando o convite, com a sala repleta de amigos e alguns sócios, a cerimônia representou uma total discrepância com a situação real em que o país estava mergulhado.

Como a ditadura havia tirado de Nelson Werneck Sodré o direito de ensinar durante o período que sucedeu ao golpe de 1964, sua atividade passou a ser exclusivamente o estudo e a produção de novos livros. Um dos trabalhos em que continuou se empenhando foi História Militar do Brasil, editado pela primeira vez no ano de 1965.

Como se pode observar na relação das publicações de Sodré, citada no capítulo seguinte, o período pós-64 foi bastante frutífero em sua produção escrita e a última contribuição é também sua 58a obra, publicada em 1995: A Farsa do Neoliberalismno.

Sua biblioteca que chegou a contar com cerca de 30.000 livros, foi vendida para um sebo, porque estava sendo atacada pelo cupim. O seu acervo particular (livros de sua autoria, retratos, cartas e demais documentos) foi doado à Biblioteca Nacional. Existe material gravado e filmado com depoimentos seus, que também estão incluídos nesse acervo. Também existe um longo depoimento arquivado no Museu da Imagem e do Som, no Rio de Janeiro.

Por fim, considerando-se ainda um marxista, Sodré caracterizava sua vida, em 1995, da seguinte maneira:

Eu, agora que virei vadio de tempo integral, leio todo dia Machado de Assis, sobretudo os contos. Ele é um dos maiores contistas do mundo, em todos os tempos. Não acompanho muito a produção literária atual, que sei ser muito volumosa, mas pelo que vejo nas resenhas dos jornais não devo estar perdendo grande coisa. Não leio mais nada do que se escreve nas Ciências Sociais, cujos textos me parecem charadas, com os autores preocupados em ser ininteligíveis, com uma terminologia feita para assustar os leigos. [...] E o resto vai ficando como está. Continuarei enraizadantente socialista. Acho que as sociedades precisam de política, que o mercado não resolverá problema nenhum” (CORRÊA, 1995:10).

II. A OBRA E IDENTIDADE CIENTIFICA DE NELSON WERNECK SODRÉ

“Tornei-me escritor por vocação,
provavelmente devido às grandes
leituras que fiz desde a infância
e que jamais cessaram”.

Werneck Sodre

Nelson Werneck Sodré começou a desenvolver a leitura bastante cedo e em sua infância leu muitos contos. Ao sair de casa para continuar os estudos no Colégio Militar e na Escola de Comando e Estado Maior do Exército, aproveitou para exercitar o hábito desenvolvido, pois nos dois estabelecimentos havia excelentes bibliotecas.

Sodré apresenta em seu livro Memórias de um Escritor, que aparecem em 4 extensos volumes com títulos diversos, os escritores que lhe eram preferidos e trouxeram uma maior contribuição para a formação de seu pensamento. Destaca que em sua trajetória leu bastante os escritores materialistas alemães, como Haeckel e Buchner, bem como os franceses.

Sua relação com cientistas estrangeiros foi bastante restrita, exceto quando esteve na ex-União Soviética, onde frequentou o Instituto da América Latina, que fazia parte da Academia de Ciências. Quanto aos estudiosos brasileiros, conheceu e manteve algumas relações com os que estavam ligados com sua área do conhecimento, dentre eles Afonso d’Escragnolle Taunay e Caio Prado Júnior.

Nelson também realizou algumas viagens pela Europa, Ásia e África, com o intuito de conhecer alguns aspectos de países, como: Portugal, França, Itália, Dinamarca, Espanha, União Soviética, Moçambique e União Sul Africana.

Além da carreira militar, Sodré exerceu a função de docente na Escola de Comando e Estado Maior, de 1947 a 1950, e no Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), de 1955 a 1964. Foi no ISEB que Nelson Werneck teve um contato maior e mais específico com alguns discípulos que passaram a trilhar caminhos semelhantes aos seus e que atualmente se encontram espalhados pelo Brasil.

No Departamento de História do ISEB, onde exercia a função de chefe, teve alguns assistentes que fizeram carreira e se destacaram na academia: Joel Rufino dos Santos, Rubem César Fernandes, Maurício Meio e Pedro Celso Uchoa Cavalcanti. Sodré destaca em seu depoimento que esses seus discípulos lecionam atualmente em universidades brasileiras e até estrangeiras. Também foi no período em que esteve vinculado ao ISEB que Sodré desenvolveu o único trabalho em parceria de sua carreira, qual seja: História Nova do Brasil. O trabalho de pesquisa desenvolvido nessa obra teve o auxílio de seus assistentes do Instituto.

A obra de Nelson Werneck Sodré compõe-se de 58 livros e, segundo seu relato, a quantidade de artigos chega, com certeza, a mais de mil. Sobre a sua obra já existem alguns estudos feitos por professores universitários, destacando o trabalho de Maria Anunciação Madureira, da UNESP, e André Moysés Gaio, da Universidade de Juiz de Fora.

Ao apresentar o autor Nelson Werneck, a Editora Civilização Brasileira, na edição de 1970 do livro Memórias de um Escritor, destaca:

“Democrata convicto, sempre se pôs a serviço do livre debate, do respeito a opiniões contrárias às suas, desde que honestas, das campanhas em prol da emancipação e do desenvolvimento do nosso País, não vacilando jamais diante dos inegáveis perigos que enfrenta quem se disponha a questionar verdades supostamente absolutas ou direitos que se tenha como adquiridos e inalienáveis.

Seriedade, autoridade e clara participação nas correntes progressistas que visam buscar para o Brasil uma saída do labirinto sócio-econômico em que se vê perdido há séculos, eis os traços marcantes deste historiador, crítico literário, pensador social e jornalista que é Nelson Werneck Sodré:un homme dédié,un clerc engagé”

Outro escritor, Mário da Silva Brito, também deixa seu depoimento sobre Nelson Werneck Sodré em um breve histórico de sua trajetória, na apresentação do livro Síntese de História da Cultura Brasileira, edição de 1989:

“Por sua extensa e variada bibliografia, integrada por obras de ordem histórica, política e sociológica notadamente, fruto toda ela de rigorosa pesquisa e estribada em documentação fidedigna, Nelson Werneck é nome de realce das letras nacionais e, ainda, personalidade intelectual de idéias definidas, reveladoras de uma visão de mundo a que chegou através de suas vivências pessoais e culturais.

Trabalhador infatigável, inscreve-se também entre os pioneiros de dado método analítico, de um processo original de abordagem dos temas que desenvolve. Basta lembrar, a este propósito, que a ele se deve, por exemplo, a primeira História da Literatura Brasileira escrita com base nos seus fundamentos econômicos, livro até hoje único no gênero em nossa bibliografia.

Realizando obra de divulgação, soerguendo grandes painéis de nossa evolução histórica, focalizando aspectos de nossa formação social, escrevendo memórias, examinando setorialmente nossas letras ou nossas composições de classes, esse autor coloca problemas, suscita debates, estimula o exercício crítico, ilumina de luz nova, fatos, personalidades e acontecimentos fundamentais de várias etapas da vida brasileira.

Dotado de férrea lógica, que encadeia argumentos de modo a dar-lhes plena eficácia; espírito dialética, afeito à discussão elevada de idéias e problemas, esse ensaísta faz dos seus livros, sempre, uma rara oportunidade paia o aprendizado objetivo e inédito de uni sem-número de questões, muitas delas por outros propostas em termos rotineiros ou idealistas. Mesmo os adversários de Nelson Werneck Sodré nele reconhecem a extensão e profundidade de sua cultura, a capacidade seminal de sua inteligência, a substância do seu raciocínio e, finalmente, a sua inteireza moral bem como a solidez e a atitude de si ias convicções”.

Em seus livros e também em seu depoimento, Nelson Werneck Sodré apresenta-se como um marxista e várias de suas obras retratam essa tendência de forma bastante clara. Para constatarmos isso, basta observarmos livros como: Fundamentos da Economia Marxista, Fundamentos do Materialismo Histórico, Fundamentos do Materialismo Dialético e História e Materialismo Histórico no Brasil. Nesses quatro livros, organizados por Sodré, são apresentados trechos de obras de marxistas ilustres.

Em seus ensaios, destacam-se alguns conceitos que são trabalhados em vários momentos e que caracterizam parte do pensamento exposto pelo autor em sua obra. E comum encontrarmos em seus escritos alguns termos como teoria do desenvolvimento, teoria da dependência, ideologia do colonialismo e imperialismo, que são bastante explorados em suas obras e sempre analisados sob a ótica socialista.

Sobre a teoria do desenvolvimento, Sodré observa que, desde o período em que o ISEB se destacava academicamente, existiam dificuldades para conceituar o significado de desenvolvimento. “Havia no ISEB duas correntes, que logo foram identificadas: uma delas admitia que o desenvolvimento deveria apoiar-se no ingresso massivo e protegido de capitais estrangeiros; a outra admitia que o desenvolvimento deveria apoiar-se em capitais nacionais e que estes deveriam ser protegidos” (SODRÉ, 1995:06).

Apoiando-se na perspectiva nacionalista de desenvolvimento, o que lhe acarretou a perseguição em 1964, em suas obras sempre ficou bastante clara a apresentação da realidade de dependência existente em nosso país, que limitava o desenvolvimento. Principalmente, porque para Sodré, um modelo de desenvolvimento que abarque todos os sentidos que’ possam existir na palavra, precisava estar baseado em uma participação efetiva do povo nos benefícios da nação.

A questão da ideologia do colonialismo também foi bastante explorada em livros como A Ideologia do Colonialismo e Introdução à Geografia - Geografia e Ideologia. Sodré apresenta, nestes e em outros livros, como o desenvolvimento do capitalismo, ao atingir a fase do imperialismo, buscou dominar não apenas as áreas geográficas, mas os povos, fazendo com que essa exploração fosse tida como natural.

Outra conceituação comum em suas obras era a teoria da dependência. Em livros como Formação Histórica do Brasil, História da Burguesia Brasileira e Radiografia de um Modelo, o autor discute essa terminologia, tentando fazer uma diferenciação entre uma economia colonial e uma economia dependente. Nessas análises, Sodré procurou sempre apresentar a história do Brasil, sob os dois aspectos, e fazer uma análise crítica da situação de dependência em que o país se encontrava durante o período estudado. Desta forma, buscava refletir, principalmente, a substituição da relação de dominação colonial pela dominação através dos investimentos e empréstimos do exterior.

Analisando seus livros e observando alguns apontamentos levantados pelo autor, observa-se claramente sua opção por uma abordagem marxista das realidades estudadas. No entanto, mais forte do que o pessimismo muitas vezes advindo dessa forma de análise do país, suas constatações finais procuram levar o leitor a um deslumbrar de novas alternativas:

“O Brasil tem potencialidades gigantescas. Quando não somos explorados, nós nos desenvolvemos. Quando não temos sócios na exploração de nossas riquezas, que são imensas, o nosso desenvolvimento se acelera. O problema constante, entretanto, é que esse desenvolvimento, [...] não é para o povo, não influencia em nada o nosso padrão de vida” (SODRÉ, 1995: 108).

Por fim, observa-se nos livros de Nelson Werneck, como Introdução à Revolução Brasileira dentre outros, a preocupação do autor em examinar o Brasil não apenas sob a perspectiva econômica, mas também social, política e cultural, abordando igualmente, aspectos como a questão racial, as origens do nacionalismo brasileiro, bem como a definição de quem é o povo que forma o Brasil.

Abaixo registramos o título dos livros escritos ou organizados por Nelson Werneck Sodré, a data de sua publicação, bem como se houve reedição:

- Panorama do Segundo Império (1939);
- Oeste. Ensaio sobre a Grande Propriedade Pastoril (1941; 1990);
- Orientação do Pensamento Brasileiro (1942);
- Síntese do Desenvolvimento Literário no Brasil (1943);
- Formação da Sociedade Brasileira (1944);
- O Que se Deve Ler para Conhecer o Brasil (1
a edição em 1945; 8a edição em 1988);
- Nabuco e o Pan-americanismo (1949);
- Martírio e Glória do Alferes Tiradentes (1952);
- O Tratado de Methuen (1957);
- As Classes Sociais no Brasil (1957);
- Introdução à Revolução Brasileira (1
a edição em 1958; 4a edição em 1978);
- Narrativas Militares (1959);
- Raízes Históricas do Nacionalismo Brasileiro (1959);
- Revisão de Euclides da Cunha (1959);
- A Ideologia do Colonialismo (1
a edição em 1961; 3a edição em 1984);
- Formação Histórica do Brasil (1
a edição em 1962; 13a edição em 1990);
- Quem é o Povo no Brasil? (1962; 1963);
- Quem Matou Kennedy (1963; 1964);
- História da Burguesia Brasileira (1
a edição em 1964; 4a edição em 7984);
- Evolución Social y Económica del Brasil (1964);
- História Nova do Brasil (1964), em co-autoria;
- História Militar do Brasil, Rio (1
a edição em 1965; 3a edição em 1979);
- O Naturalismo no Brasil (1965; 1991);
- Ofício de Escritor (1965);
- As Razões da independência (1
a edição em 1965; 4a edição em 1984);
- História da Imprensa no Brasil (1
a edição em 1966; 3a edição em 1983);
- Memórias de um Soldado (1967; 1986);
- Fundamentos da Estética Marxista (1968), organizador;
- Fundamentos da Economia Marxista (1968), organizador;
- Fundamentos do Materialismo Histórico (1968), organizador;
- Fundamentos do Materialismo Dialética (1968), organizador;
- Síntese de História da Cultura Brasileira (1
a edição em 1970; 17a edição em 1994);
- Memórias de um Escritor (1970);
- Brasil. Radiografia de um Modelo (1
a edição em 1974; 7a edição em 1987);
- Introdução à Geografia (1
a edição em 1976; 9a edição em 1993);
- A Verdade sobre o 1SEB (1978);
- Oscar Niemeyer (1978);
- A Coluna Prestes (1
a edição em 1978; 5a edição em 1986);
- Vida e Morte da Ditadura (1984; 1984);
- Contribuição à História do PCB (1985);
- História e Materialismo Histórico no Brasil (1985; 1987);
- O Tenentismo (1985);
- História da História Nova (1986; 1987);
- A Intentona Comunista de 35 (1987);
- O Governo Militar Secreto (1987);
- Literatura e História no Brasil Contemporâneo (1987);
- Em Defesa da Cultura (1988);
- Educação Social e Económica do Brasil (1988; 1996);
- A Marcha para o Nazismo (1989);
- A República. Uma Visão Histórica (1990);
- Capitalismo e Revolução Burguesa no Brasil (1990);
- A Luta pela Cultura (1990);
- O Fascismo Cotidiano (1990);
- A Ofensiva Reacionária (1992);
- História Nova do Brasil (1993);
- A Fúria de Calibã (1994);
- A Farsa do Neoliberalismo (1
a edição em 1995; 3a edição em 1996).
- História da Literatura Brasileira. Seus Fundamentos Econômicos (1 edição em
1938; 8a edição em 1988)

III. A CONTRIBUIÇÃO DE NELSON WERNECK SODRÉ AO PENSAMENTO COMUNICACIONAL

“Minha ciência é a História e
creio que ela é indispensável
à Comunicação”

Werneck Sodré

Nelson Werneck Sodré começou a escrever para a imprensa na revista O Cruzeiro, do Rio de Janeiro, e teve um conto premiado em 1927. No ano de 1938 já escrevia de forma sistemática para o Correio Paulistano, um jornal que era editado em São Paulo. Por 25 anos, Sodré manteve rodapé de crítica literária no Correio, mesmo com as transferências de residência que ocorriam devido à carreira militar.

Sodré também trabalhou na redação do jornal Última Hora, no Rio de Janeiro, onde conheceu de perto o trabalho de jornal, o que lhe dava propriedade para escrever sobre a imprensa. Sua produção literária é extensa e todas as obras escritas pelo autor foram publicadas, sendo algumas, inclusive, reeditadas várias vezes.

O seu primeiro livro, cuja 1’ edição foi em 1938, intitulava-se História da Literatura Brasileira - Seus Fundamentos Econômicos. No ano de 1988 o livro chegou à & edição. Trata-se de uma síntese do movimento e das idéias dos poetas e escritores que atuaram em nosso país, desde os primeiros momentos de atividade cultural. O trabalho inicia voltando às origens brasileiras e observando a influência européia, para culminar com a observação de escritores como José Américo de Almeida, José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Jorge Amado e Plínio Salgado.

Outro livro de Sodré, com importância marcante para o pensamento comunicaciona1, se denomina Síntese do Desenvolvimento Literário no Brasil, de 1943. O livro apresenta as falhas existentes no estudo do desenvolvimento literário brasileiro, que em sua maioria negligencia o enquadramento deste cenário no processo histórico nacional, e desta forma, as características sociais, políticas e econômicas do país são desvinculadas de sua produção cultural. Sodré procura apresentar uma forma de verificar o desenvolvimento literário por suas características sociais e não pelas personalidades que marcaram cada período.

Para Sodré, das suas contribuições ao pensamento comunicacional, o livro História da Imprensa no Brasil, que teve três edições (lª edição 1966; 3ª edição 1983), foi o que mais marcou seu trabalho. Segundo o autor, a obra somente cessou de ser reeditada porque seu texto passou a ser objeto de fotocópias nos cursos de Comunicação. Nelson Werneck explica que História da Imprensa no Brasil, foi o resultado de trinta anos de pesquisas acumuladas.

Em seu depoimento, Werneck Sodré reconhece que em sua técnica de pesquisa não existiram aspectos originais. Para desenvolver o livro História da Imprensa, trabalhou nas redações dos principais jornais, utilizando-se particularmente das edições de aniversário, bem como as seções de jornais e revistas antigas da Biblioteca Municipal de São Paulo e da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro.

Em História da Imprensa no Brasil, o autor buscou demonstrar o vínculo existente entre o desenvolvimento da imprensa e o desenvolvimento da sociedade capitalista. Sodré também apresentou a força política e a influência na opinião pública que possuem as agências de notícias, publicidade e cadeias de jornais e revistas. Para tanto, dividiu o trabalho nos seguintes períodos: A Imprensa Colonial, A Imprensa da Independência, A Imprensa do Império e A Grande Imprensa. O autor apontou também, que os marcos referenciais de desenvolvimento da imprensa não são os acontecimentos políticos ou sociais, como por exemplo, a proclamação da Independência. No entanto, utiliza-se desta divisão para facilitar a criação de vínculos entre a situação da imprensa, seu conteúdo e papel desempenhado em cada momento histórico.

Como já foi ressaltado em outros momentos, Sodré destaca muito em seus livros a importância da liberdade e independência de um povo, o que também acontece nesta obra: “E talvez interessante salientar, por ultimo, que este trabalho pretende contribuir para a compreensão do óbvio, isto é, de que só existe imprensa livre quando o povo é livre; imprensa independente em nação independente - e há nação verdadeiramente independente em que o povo não seja livre” (SODRE, 1966:09).

Outro livro que se destaca para a comunidade acadêmica das Ciências da Comunicação é Síntese de História da Cultura Brasileira, publicado pela primeira vez em 1970 e que já foi reeditado 17 vezes. A obra busca fazer uma análise da evolução de nossa cultura, apresentando as influências recebidas de outros povos e as pressões que sofreu até chegar ao período pré-capitalista e capitalista.

Síntese de História da Cultura Brasileira é dividido em três etapas: 1) a análise da cultura transplantada antes do aparecimento da pequena burguesia, até a segunda metade do século XVIII; 2) a análise da cultura transplantada posterior ao aparecimento da pequena burguesia, até 1930; 3) a análise do surgimento e desenvolvimento da cultura nacional em consonância com as relações capitalistas.

Novamente observamos a ênfase do autor, na busca que deve existir pela liberdade e independência cultural do povo brasileiro: “Do que ficou narrado, deduz—se que o problema inicial, para a cultura brasileira, é o da retomada da liberdade; sem liberdade de pensamento e expressão, não há condições de desenvolvimento cultural autêntico. Trata-se de etapa preliminar, indispensável. Sem superar tal etapa, não há como colocar o problema de cultura” (SODRÉ, 1989:135).

Em Memórias de um Escritor, de 1970, também encontramos fontes e informações importantes para os pesquisadores e profissionais das Ciências da Comunicação. No desenrolar dos acontecimentos relatados e vividos por Werneck Sodré, encontra-se a história da indústria editorial brasileira. O apanhado vai desde o momento em que a indústria cultural se tornou independente de Portugal e França, paises onde as obras didáticas e literárias eram impressas até o inicio dos anos 20, até a formação da literatura moderna. Também é feita uma analise crítica das idéias e tendências do período explorado.

O livro A Luta pela Cultura, editado no ano de 1990, consiste em uma continuação de suas Memórias de um Escritor, por isso, é também importante para o pensamento comunicacional. O período tratado, abrange dois acontecimentos históricos muito significativos, o final da II Guerra Mundial, quando também termina o Estado Novo, e o Golpe Militar de 1964. Trata-se de uma obra que destaca a atividade desenvolvida por Sodré neste período em que:

“ele intensificou suas atividades de participação na vida literária do país, exercendo a função de crítico em vários jornais e revistas do Rio e São Paulo, envolvendo-se em muitos debates políticos e sociológicos ao longo dos quais o melhor de nossa ‘intelligentsia’ buscava definir tendências e encontrar caminhos para as várias crises simultâneas em que estávamos mergulhados, e foi professor, em nível de pós­graduação, numa das melhores instituições culturais brasileiras, o ISEB, que ajudou a estruturar” (SILVEIRA, 1990).

Quando se inicia a análise do trabalho desenvolvido por Nelson Werneck Sodré, em busca de uma identidade científica, observa-se nitidamente em sua obra a influência marxista. Isto, além de caracterizá-lo, também demonstra sua coerência, pois é desta forma que até hoje Sodré se posiciona quanto às correntes de pensamento: “sempre me defini conto marxista”.

Por fim, Nelson Werneck Sodré faz duas recomendações aos futuros escritores ou pesquisadores que pretendam desenvolver trabalhos que abordem a História, a Comunicação ou tenham cunho científico:

1) Que façam antecipadamente uma lista de livros de consulta, a bibliografia;

2) Que elaborem uma cronologia que venha a servir como roteiro do texto que será escrito.

Segundo Sodré, esse é um bom método para o escritor seguir.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pesquisar e redigir alguns aspectos do perfil biográfico de um pesquisador da História e da Comunicação, como Nelson Werneck Sodré, é um trabalho que, certamente, não pode ser executado em poucas páginas. Se se observarem as memórias do autor, registradas em alguns de seus livros, percebe-se a extensão do pensamento de Sodré e, conseqüentemente a complexidade que se encontra em sintetizar devidamente essa vivência em uma obra monográfica como o presente artigo.

Contudo, um desafio como este é sempre instigante e traz resultados que podem servir para futuros estudos e pesquisas que venham a ser desenvolvidos sobre a obra ou vida do cientista biografado.

Ficam aqui, então, demonstrados e registrados alguns aspectos sobre: a história de vida de Nelson Werneck Sodré, a linha teórica de seus livros e a importância de sua obra no pensamento comunicacional. A realização deste artigo deu-se através de pesquisas bibliográficas, observação de entrevistas dadas pelo autor e contato direto feito através de correspondência.

O trabalho desenvolvido, buscou trazer a visão sobre um cientista que se preocupou ao longo de sua vida com a democracia, a liberdade e a dignidade do povo brasileiro, olhando sempre de forma crítica para os meios que impediam a concretização desses anseios. Este é Nelson Werneck Sodré, um pesquisador que foi e continua sendo marxista, um pensador que não abre mão do socialismo, mesmo que os “modismos” empurrem a nau para o caminho contrário: “O socialismo uno é um modelo, é como a democracia, uma parte da História que está sempre em marcha, que faz parte do processo de aperfeiçoamento das instituições políticas”. (CORREA, 1995:10).

Este é o perfil biográfico de um General da reserva, que contou, através de sua vivência e de seus livros, um pouco da História do Brasil. Um homem que observou criticamente nossa imprensa, trabalhou em jornais e atuou como pioneiro na consolidação da comunidade científica de Comunicação.

Resta, agora, aproveitar ao máximo as contribuições do biografado Nelson Werneck Sodré. Desta forma, talvez daremos alguns passos na construção de um futuro que seja voltado para uma busca sincera da democracia e liberdade de expressão verdadeiras, que passem pelo respeito e dignidade para com todos.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

- CORREA, Marcos Sá. Nas Mãos de Deus. Veja. São Paulo, Abril, 27/09/95.
-
MARINHO, Luiz Carlos de Oliveira. O ISEB em seu Momento Histórico. Rio de Janeiro, Teses, 1986.
-
SILVEIRA, Ênio. Um Homem e sua Causa. In: SODRE, Nelson Werneck. A Luta pela Cultura. Rio de Janeiro, 1990.
-
SODRÉ, Nelson Werneck. A Farsa do Neoliberalismo. 3a ed. Rio de Janeiro, Graphia, 1996.
-
________. A Luta pela Cultura. Rio de Janeiro, 1990.
-
________. Do Estado Novo à Ditadura Militar. Memórias de uni Soldado. 2a cd. Petrópolis, Vozes, 1988.
-
________. Do Tenentismo ao Estado Novo. Memórias de um Soldado. 2a ed. Petrópolis, Vozes, 1986.
-
________. Formação Histórica do Brasil. 8a ed. São Paulo, Ed. Brasiliense, 1973.
-
________. História da Imprensa no Brasil. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1966.
-
________. História da Literatura Brasileira. Seus Fundamentos Econômicos. São Paulo, Cultura Brasileira, 1938.
-
________. Introdução à Revolução Brasileira. 3a ed. Rio de Janeiro, 1967.
-
________. Memórias de um Escritor. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1970.
-
________. Síntese de História da Cultura Brasileira. 168 cd. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1989.
-
________.Síntese do Desenvolvimento Literário no Brasil. São Paulo, Livraria Marfins Editora, 1943.

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NOTAS:

1) Sodré já escrevia para a revista O Cruzeiro, do Rio de Janeiro, desde o ano de 1927, quando teve um conto premiado. Clique aqui e retorne ao texto

2) Quando Sodré assumiu a revista, era um órgão acadêmico de circulação incerta e predominavam os assuntos militares. Clique aqui e retorne ao texto

3) Nesse período Sodré publicou as obras: Formação da Sociedade Brasileira (1944), O Que se Deve Ler Para Conhecer o Brasil (1945). Sodré também colaborava com os jornais Correio Paulistano, Diário de Notícias do Rio de Janeiro e com a Revista Militar Brasileira, editada pelo Estado Maior do Exército, bem como, fazia parte da redação de A Defesa Nacional, revista de assuntos militares. Clique aqui e retorne ao texto

4) Desde o momento em que o general Estillac não promoveu a anulação da transferência de Sodré para Cruz Alta (RS), afinal havia assumido como Ministro de Guerra logo após o ocorrido e poderia tomar esta atitude, sua esposa opunha-se a qualquer entendimento com Estillac que fosse além do nível político. Clique aqui e retorne ao texto


* Josias Ricardo Hack, mestrado em Comunicação Social (Universidade Metodista de São Paulo); é representante da Universidade do Oeste de Santa Catarina junto ao Consórcio Rede Universidade Virtual Pública Catarinense - Portaria 69/UNOESC - R/2000. Esta es su primera colaboración para Sala de Prensa.


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