Sala de Prensa


24
Octubre 2000
Año III, Vol. 2

WEB PARA PROFESIONALES DE LA COMUNICACION IBEROAMERICANOS

A R T I C U L O S

   
   


A lógica do jornalismo impresso
na era do "tempo real"

Ao saber que a Folha havia comprado novos equipamentos que aumentariam a capacidade e a velocidade de impressão do jornal, um repórter perguntou se a redação ganharia mais tempo para fechar a edição. A resposta foi não. Moral da história: o último benefício que a moderna tecnologia trouxe à redação foi o computador. Cada vez mais o jornal é um produto que, antes de ser bom, precisa ser rápido para chegar mais cedo que os concorrentes às mãos do leitor.
Sérgio Augusto, em depoimento a Geraldinho Vieira, in Complexo de Clark Kent, S. Paulo, Summus, 1988.

Vivemos num tempo maluco em que a informação é tão rápida que exige explicação instantânea e tão superficial que qualquer explicação serve.
Luiz Fernando Veríssimo, O Globo, 01/04/99, p.7.

Sylvia Moretzsohn *

A imprensa convive, como atividade industrial, com uma contradição intrínseca à sua promessa histórica, e certamente mistificadora: a de dar "a verdade em primeira mão" (uma variante daquilo que os americanos definiam como "get it first, but first get it right"1). Mistificadora porque fala em verdade genericamente, quando se trata de entendê-la no sentido estrito de informação verdadeira, relativa a fatos que realmente ocorreram - e que comportam interpretações diversas; mistificação necessária, porém, para a sedimentação de outro mito, o da imparcialidade, que garante à imprensa o seu lugar de autoridade. De qualquer forma, a verdade, ao contrário do que afirma o lema, sempre ficou submetida à necessidade da veiculação de notícias em primeira mão (dadas as imposições da concorrência), trazendo como resultado, freqüentemente, a divulgação de informações falsas ou apenas parcialmente verdadeiras, com conseqüências às vezes catastróficas.

Hoje, na era do "tempo real", essa contradição atinge níveis que apontam para uma aparente irracionalidade no processo de produção da notícia. Afinal, que sentido haveria em investir na última palavra em tecnologia se o que interessa não é a qualidade da informação, mas sim "chegar mais rápido que o concorrente"?

Enunciada dessa maneira, a questão pressupõe um certo conceito de qualidade, aliás nunca muito bem definido (e cuja discussão seria certamente objeto de outro artigo, pois nos levaria a uma investigação que remete ao campo da análise de discurso). Para o que nos interessa aqui, basta indicar que privilegiar a velocidade seria aceitar a possibilidade de faltar com o compromisso principal do jornalismo com a informação.

Dizíamos, porém, que essa irracionalidade é aparente, pois esconde outra lógica, que procura encobrir o caráter ideológico e político inerente à atividade jornalística, substituindo-o pela noção de "serviço prestado ao leitor". Essa noção, decorrente da velha e contestada idéia de que o público tem o "direito de saber" para poder tomar suas decisões2, sugere que o público "precisa saber" cada vez mais rápido, porque esse é o ritmo do mundo. Coerentemente, as próprias condições de trabalho - que, como se sabe, são determinantes na produção do discurso - ficam subordinadas a essa "lógica da velocidade", apresentada como um dado da realidade, como se fosse dotada de uma dinâmica própria, e não como resultado da lógica industrial.

Os métodos e diretrizes adotados pela Folha de S. Paulo ilustram bem o que queremos dizer. São exemplos pertinentes, pois a Folha é a única no país a preocupar-se em construir uma racionalidade sobre a atividade jornalística, tendo adotado uma estratégia de mercado que lhe garante, atualmente, o primeiro lugar em circulação.

Já em 1987, o Manual Geral da Redação afirmava, no verbete rapidez: "é essencial combinar qualidade com rapidez. O jornal deve parte de sua grande circulação a uma política agressiva de distribuição, que tem no horário antecipado de chegada às bancas um de seus princípios básicos. Assim, o jornal deve fechar mais cedo que os concorrentes, sem perder em quantidade ou qualidade das informações". Adiante, em fechamento, repete-se a preocupação em combinar qualidade com cumprimento de prazos: "De nada adianta uma excelente edição se poucas pessoas a lêem". É interessante notar que não há ressalva em sentido oposto (algo como "de nada adianta chegar na frente com informações imprecisas, incompletas, incorretas, etc., etc.")3.

O Projeto Editorial 97, publicado pelo jornal em 17/08/97 sob o título Caos da informação exige jornalismo mais seletivo, qualificado e didático, e que reitera a pretensão da empresa de "apontar perspectivas para o futuro do jornalismo brasileiro", continua a entender atividade jornalística como "subordinada a um regime de pressa que faz parte de sua utilidade pública". Mas, o que é mais significativo, ensaia uma análise das recentes mudanças ocorridas no mundo, sedimentando a idéia do mercado como regulador da atividade jornalística e das próprias ações humanas. O trecho a seguir é revelador:

A dualidade política foi substituída por um consenso. Uma só superpotência impôs seu predomínio ao mundo, quase todas as sociedades procuram se aproximar de seu modelo. Com pouca variação de grau, há uma só receita econômica (o mercado), uma só fórmula institucional (a democracia), num mundo que tende inevitavelmente à "globalização". Pois não se trata de um sistema estanque, mas que se propõe a enquadrar toda diversidade étnica ou cultural num mesmo modelo, já batizado como "fim da história", desde que cumpridos os preceitos da livre competição e da técnica.

Mais adiante, o documento é mais explícito em relação ao jornalismo: não se trata de aplacar a sua disposição crítica, mas de "refiná-la e torná-la mais aguda num ambiente que não é mais dicotômico, no qual o debate técnico substituiu, em boa medida, o debate ideológico".

A busca por desideologizar a atividade (esta e todas as outras) não é nova nem inocente. Mas, hoje, a eterna justificativa para rebater críticas mais profundas ao sentido do noticiário (a falta de tempo, o fato de que o jornalista corre contra o relógio) ganha, aparentemente, maior densidade: afinal, vivemos sob o signo da velocidade. O argumento, então, torna-se "neutro", óbvio, inquestionável. Fazer o quê? As coisas são assim mesmo. Trata-se de se adaptar a elas.

Uma crítica a essa concepção exige, primeiro, a discussão da noção de "aceleração do tempo" para perceber de que modo a grande imprensa se insere nessa lógica e ajuda a reproduzi-la. Acreditamos que, assim, teremos elementos para justificar que, hoje, a qualidade do noticiário é definida pela velocidade, que, por sua vez, é consumida como um fetiche.

A ideologia da velocidade

"Um discurso assombra o Ocidente: não há mais ideologias". É com essa afirmação que François Brune inicia artigo no qual sustenta que o mito do progresso, o primado da técnica e o dogma da comunicação, "signos sob os quais vivemos", servem como justificativa para um discurso desideologizante que, entretanto, é também profundamente ideológico4.

"Razões técnicas" são freqüentemente invocadas para mascarar problemas sociais ou opções políticas discutíveis. (...) A ideologia tecnicista concentra a atenção das pessoas sobre o como para ocultar a preocupante questão do por quê: é assim que, em vez de se perguntar sobre as causas e os efeitos da violência na televisão, acredita-se que se resolve a questão inventando um controle eletrônico que corta as cenas traumatizantes.

E, mais adiante:

A velocidade é uma realidade: é também uma ideologia, inseparável do mito do progresso.Tudo que se move no mundo, tudo que anda depressa, progride. Toda mobilidade é positiva: o mal maior é ser "ultrapassado". A maioria das competições é à base de velocidade, mas é em todos os domínios que é preciso andar depressa, pensar rápido, viver rápido. (...) Naturalmente, a vertigem da velocidade leva a aceitar em bloco todas as evoluções modernas.

Vivemos, assim, numa época para a qual a percepção do tempo é a do tempo presente, que sepulta a noção de história. No entanto, diz Adauto Novaes,

narrar a história de um povo a partir apenas do tempo presente, tempo fragmentado, direcionado, "instante fugidio tido como único tempo real", é negar a articulação de épocas e situações diferentes, o simultâneo, o tempo da história e o pensamento do tempo. (...) Esquecer o passado é negar toda efetiva experiência de vida; negar o futuro é abolir a possibilidade do novo a cada instante.(...) admiramos a velocidade (que em um centésimo de segundo põe em jogo prestígio, dinheiro, interesses - já não sabemos viver a vida lenta e inexata); vivemos a era dos ruídos e da fala ininterrupta da televisão e do rádio (começamos a esquecer como é fecundar o silêncio, [entendendo-o] não como ausência de palavra mas como condição de existência da própria palavra; (...) [pois] é o intervalo entre as palavras - o silêncio - que dá sentido à linguagem;) (...) vivemos ainda o excesso de imagens (...) mas vivemos principalmente a perda do sentimento do tempo ao considerarmos que "as coisas rápidas são muito lentas e que as próprias mensagens elétricas fazem morrer de tédio".5

É justo concluir que, nesse contexto, a velocidade é consumida como um fetiche - no sentido definido por Marx, para quem o produto do trabalho, tão logo assume a forma de mercadoria, passa a ter vida própria, a valer por si, escondendo a relação social que lhe deu origem. No caso que aqui nos interessa, o do jornal impresso, essa fetichização está (ou deveria estar) clara: trata-se de um produto submetido à "lógica da velocidade", embora obviamente incapaz de segui-la, uma vez que o "tempo real" será inevitavelmente o tempo de ontem6. O que não deixa de ser curioso, pois o jornalismo impresso seria, por definição, mais reflexivo, até para se distinguir dos outros media. No entanto, como precisam afirmar a imagem de agilidade, as grandes empresas reforçam o fetiche ao distribuírem o "jornal de domingo" às duas da tarde de sábado; outras, como a que edita o Povo do Rio, garantem o jornal de todo dia às sete da noite da véspera... Reconhecer que esta pode ser uma retomada da experiência dos velhos vespertinos soaria insuportavelmente anacrônico. Assim, muda-se a data no cabeçalho e, magicamente, o presente passa a ser também o futuro. Hoje já é amanhã.

Essa urgência imposta traz outras conseqüências: reduz, quando não anula, a possibilidade de reflexão no processo de produção da notícia, o que não apenas aumenta a probabilidade de erro como, principalmente e mais grave, limita a possibilidade de matérias com ângulos diferenciados de abordagem, capazes de provocar questionamentos no leitor; obriga o repórter a divulgar informações sobre as quais não tem certeza; submete as fontes à lógica da velocidade (apresentada como uma imposição da realidade e não como conseqüência do modo de produção), o que freqüentemente compromete, na origem, a qualidade da informação a ser veiculada e, ao mesmo tempo, obriga a fonte a capacitar-se para obedecer a essa temporalidade, o que alimenta o círculo vicioso na relação fonte/jornalista, qualificando automaticamente algumas em detrimento de outras, com reflexos evidentes na sedimentação de consensos7.

Dessa forma, o dinamismo e a novidade prometidos ficam na aparência (no ato de chegar primeiro às bancas ou à casa do assinante, nas reformas gráficas, no uso de cores), que procura encobrir a padronização e a previsibilidade do noticiário. Analisando a notícia a partir de seu valor de uso (para o leitor) e de seu valor de troca (para o editor), Ciro Marcondes Filho cita trecho do Coletivo de Autores "Imprensa" para mostrar a estratégia da empresa:

A "nova apresentação periódica da aparência do valor de uso, a agilidade formal, o colorido, a diversidade ("compaginação moderna", mais fatos, papel espelhado, novas cores, novos tipos gráficos, suplementos coloridos, "comunicados de todo o mundo" e "informes exclusivos", mais páginas, "o mais novo", "o mais sensacional", etc.) servem somente ao objetivo de realizar o valor de troca em forma de dinheiro sem melhorar o valor de uso para o leitor.8

Assim, a pretexto de trazer o novo, o jornal acaba reproduzindo o mesmo, porque gira em torno de um universo limitado de fontes, o que é uma imposição da rotina de trabalho nessa "linha de montagem simbólica". A abordagem de Terry Eagleton resume esse processo:

Se o mito é construído como eterna recorrência, a recorrência que mais importa na esfera do capitalismo monopolista é o eterno retorno da mercadoria. O capitalismo tem uma história, certamente, mas a dinâmica de seu desenvolvimento, como Marx observou com ironia, é a recriação perpétua de sua própria estrutura ‘eterna’. Cada ato de troca mercantil é ao mesmo tempo singularmente diferenciado e a repetição monótona da mesma velha história. O clímax da mercadoria é assim o culto da moda, na qual o conhecido retorna com ligeiras variações, o muito velho e o muito novo são capturados juntos numa lógica paradoxal de identidade-na-diferença.9

Apesar das possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias (que permitem, por exemplo, a investigação jornalística por computador - o CAR, computer-aided reporting), não se criam (deliberadamente?) condições para a ampliação do repertório de fontes: isso dependeria de uma decisão empresarial (contratar mais pessoal) e editorial (portanto política).

Sem condições de trabalho voltadas para o processamento desse cada vez maior volume de informações, e lutando sempre contra o relógio, resta ao jornalista reproduzir o estereótipo, o clichê.

Os agentes certamente têm uma apreensão ativa do mundo. Certamente constróem sua visão de mundo. Mas essa construção é operada sob coações estruturais. E pode-se inclusive explicar em termos sociológicos aquilo que aparece como propriedade universal da experiência humana, a saber, o fato de que o mundo familiar tende a ser taken for granted, percebido como evidente. Se o mundo social tende a ser percebido como evidente (...) é porque as disposições dos agentes, o seu habitus, isto é, as estruturas mentais através das quais eles apreendem o mundo social, são em essência produto da interiorização das estruturas do mundo social.10

Assim, cada vez mais, promove-se uma simplificação do mundo. A leve ironia de Gans é esclarecedora:

A relutância em contatar outras pessoas que não as fontes oficiais e familiares não deveria nos espantar. Os sempre apressados repórteres não têm tempo para desenvolver um relacionamento com fontes não familiares e nem seguir a rotina que transforma estranhos em informantes. (...) As fontes não familiares podem fornecer informações não passíveis de avaliação, o que gera insegurança. E, sobretudo, as fontes não familiares podem fornecer informações novas ou contraditórias que atrapalhem a capacidade dos repórteres para generalizar e resumir (grifo meu). Todos os jornalistas têm que se apoiar numa base de dados de número limitado para não serem inundados por um volume de informação maior daquele que podem rapidamente processar e adaptar ao limitado tempo de transmissão ou ao limitado espaço de impressão [do jornal].11

Temos aí, portanto, um paradoxo. Pois como pode ser a novidade um fator de perturbação para quem promete justamente a novidade a cada dia?

Um discurso menos conclusivo

As críticas aqui expostas podem sugerir uma nostalgia do mundo pré-industrial. Mas, se assim fosse, seriam a negação das possibilidades de transformação nos rumos do jornalismo praticado pela grande imprensa. E trata-se, ao contrário, de apontar algumas das encruzilhadas com as quais o atual modelo desse jornalismo se depara (até porque as produz) para, a partir daí, buscar outras possibilidades. Trata-se, em suma, de identificar os nós para começar a desatá-los.

O primeiro passo seria iniciar um percurso no sentido oposto ao da mistificação e assumir a complexidade da tarefa de informar. O depoimento do repórter Caco Barcellos é significativo:

É complicadíssimo você trabalhar numa coisa que é extremamente dinâmica. É terrível, porque você não tem tempo pra respirar, pra refletir e conseguir formalizar um pouco o que significa isso. É tão dinâmica, tão veloz, e é tanta incerteza na cabeça da gente todo o tempo, que a investigação é inesgotável. Se você trabalhar cinco dias, chega a uma conclusão; se trabalhar sete, chega àquela e mais A; se trabalhar vinte, vê que talvez todos aqueles dias anteriores não serviram pra nada. É uma coisa sem fim, né?12

A investigação, certamente, é "uma coisa sem fim", e não só porque a lógica da concorrência exige do jornalista respostas definitivas e bombásticas a cada edição, mas porque nossas certezas são sempre provisórias. E, se a matéria prima do jornalismo é a realidade cotidiana, "domínio do movediço, do impreciso, do mais ou menos, do cerca de"13, um discurso não mistificador precisaria ser menos afirmativo, conclusivo, definitivo; precisaria aceitar a dúvida e expor as limitações do trabalho de apuração.

Haverá mercado para um jornalismo como este? As críticas cada vez mais freqüentes e consistentes ao trabalho da grande imprensa parecem sugerir que sim. De todo modo, estas são possibilidades que podemos apenas indicar, pois o aprofundamento do tema nos levaria ao campo da análise de discurso, que excede os propósitos deste trabalho.

O que não parece aceitável é festejar um jornalismo "independente, submetido apenas às forças de mercado"14 (grifo meu), que exclui a perspectiva dialética de interação - e transformação - e remete à noção simplista de que, afinal, um produto é bom porque vende, e pronto. Então, nem caberia a crítica de que, antes de ser bom, o jornal tem que ser rápido para chegar primeiro: pela atual lógica do mercado, jornal bom é o que chega primeiro.

_____
Notas:

1 GOODWIN, Eugene. Procura-se ética no jornalismo. Rio de Janeiro, Nórdica, 1993, p. 23.

2 Goodwin mostra a fragilidade dessa concepção, decorrente da "teoria da responsabilidade social": "Os jornalistas, limitados pelo espaço e pelo tempo, têm que decidir todos os dias o que é que o público tem direito de saber. Qualquer visita a uma redação no fim de um dia de trabalho mostra até para o observador eventual qual é a quantidade de notícias deixadas para trás, sem serem utilizadas, um material que, aparentemente, o público tem o direito de conhecer". Idem, ibidem, p. 23.

3 FOLHA DE S. PAULO, Manual Geral da Redação, 2ª edição, 1987, p. 36 e 112.

4 BRUNE, François. L’idéologie d’aujourd’hui, in Manière de Voir (hors-série), Le Monde diplomatique, março de 1997, p.11.

5 NOVAES, Adauto. Sobre tempo e história. In NOVAES, Adauto (org.). Tempo e história, S. Paulo, Companhia das Letras, 1992, p 13.

6 O rádio, a TV e o jornalismo on line podem pretender responder a esse apelo, embora a precipitação leve sempre ao risco de se veicular notícias falsas ou superdimensionadas, pela falta de tempo para avaliação. A esse respeito, é interessante citar um exemplo antigo, anterior à era do "tempo real", relatado pelo comentarista da NBC Edwin Newman: "Durante o episódio de Three Mile Island veio um boletim da UPI citando um porta-voz da Nuclear Regulatory Agency que teria dito: ‘existe o risco final de um derretimento". Eu deveria ir ao ar, interrompendo a programação normal - fazendo o que se chama de interrupção da cadeia - e dar a notícia. Eu olhei para o boletim, decidi que não sabia qual era o seu significado e sugeri ao diretor de jornalismo da NBC que esperássemos. Ele concordou. (...) Depois de muitas dificuldades, conseguimos algumas informações sobre o significado de um risco final de derretimento. Significava muito menos do que se poderia ter pensado. Quando fui ao ar, estávamos em condições de dar a notícia em perspectiva. Era muito menos atemorizadora do que parecera a princípio. Mas, naturalmente, fomos a terceira emissora a divulgá-la". NEWMAN, Edwin. A responsabilidade do jornalista, in SCHMUHL, Robert (org.). As responsabilidades do jornalismo, Rio de Janeiro, Nórdica, 1987.

7"Os dominados são os menos aptos a poder controlar sua representação de si próprios. O espetáculo de sua vida cotidiana só pode ser, para os jornalistas, algo monótono e sem interesse. Porque são culturalmente desarmados, são além disso incapazes de se expressar na forma requisitada pela grande mídia". CHAMPAGNE, Patrick, La vision médiatique, in BOURDIEU, Pierre, La misère du monde (Paris, Seuil, 1993, p. 67). A respeito da relação fonte/jornalista, ver também CHAPARRO, Manuel, Pragmática do Jornalismo, e GANS, Herbert, Deciding what’s news: a study of CBS Evening News, NBC Nightly News, Newsweek and Time. New York, Pantheon Books, 1979.

8Coletivo de autores "imprensa", in MARCONDES FILHO, Ciro, O capital da notícia, S. Paulo, Ática, 1986, p 32.

9EAGLETON, Terry. A ideologia da estética, Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1993, p. 231.

10 BOURDIEU, Pierre. Coisas ditas, S. Paulo, Brasiliense, 1990, p.157/158.

11 Cf. GANS, Herbert. Op. cit.

12 Entrevista à revista Caros Amigos, nº 2, maio de 1997.

13 KOYRÉ, Alexandre, citado por NOVAES, Adauto. Op. cit., p. 14.

14 FOLHA DE S. PAULO. Projeto Editorial 97, FSP., 17/08/97.


* Sylvia Moretzsohn. Professora de jornalismo no curso de Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense e aluna do mestrado em Comunicação, Imagem e Informação, da mesma universidade. Fue repórter e redatora na imprensa diária (Jornal do Brasil, O Globo, sucursal de O Estado de S. Paulo) por cerca de oito anos. Fue membro da comissão de ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro entre 1987 e 1991, período em que edito o livro Jornalistas pra quê? (os profissionais diante da ética), lançado em fins de 1989. Esta es su primera colaboración para Sala de Prensa.


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