Sala de Prensa


22
Agosto 2000
Año III, Vol. 2

WEB PARA PROFESIONALES DE LA COMUNICACION IBEROAMERICANOS

A R T I C U L O S

   
   


Possibilidade de aplicação do
Jornalismo de Precição no Jornalismo Científico

Lara de Lima - Nilson Lage *

Resumo. Procura-se verificar a aplicabilidade do Jornalismo de Precisão na prática do jornalismo científico, utilizando-se a técnica Delfos junto a um grupo de dez jornalistas científicos brasileiros selecionados entre profissionais do mercado e da academia. Estes jornalistas são questionados sobre fundamentos e procedimentos do Jornalismo de Precisão identificados no livro "The New Precision Journalism", de Philip Meyer.

Palavras-chave: Jornalismo científico, Jornalismo de Precisão, Informações científicas e tecnológicas

1. INTRODUÇÃO

Buscou-se compreender melhor a especialidade jornalística de divulgação de ciência e tecnologia, ou jornalismo científico, investigando sobre uso ou recomendabilidade do Jornalismo de Precisão nesta atividade. Segundo Philip Meyer, Jornalismo de Precisão é a aplicação de métodos científicos de investigação social e comportamental à prática do jornalismo (Meyer, 1993, p. 14). "Consiste em aproximar o jornalismo do método científico, incorporando os poderosos instrumentos de que a ciência dispõe, tanto para a coleta como para análise de dados, assim como na busca sistematizada de uma verdade verificável" (Idem, p. 29).De acordo com José Luis Dader, entre os métodos referidos por Meyer estão a sondagem ou pesquisa de opinião, o experimento psicossocial e a análise de conteúdo (Idem, p. 15).

No ponto de vista do jornalista espanhol, o Jornalismo de Precisão excede o campo da sociologia, uma vez que outras áreas da pesquisa científica - como a investigação médica ou biológica e estudos sobre o meio ambiente - foram abordadas com os seus métodos. A proposta essencial do Jornalismo de Precisão é a produção de argumentos e/ou contra-argumentos pelos jornalistas, com base em pesquisas próprias. A Reportagem Assistida por Computador (Computer Assisted Reporting), que prevê a realização de reportagens a partir de informações de bases de dados, é a variante do Jornalismo de Precisão que mais cresce entre as "atuações de precisão" (Idem, p. 13), destaca Luis Dader.

2. METODOLOGIA

Como o enfoque desta pesquisa está na apuração de informações científicas e tecnológicas, concluiu-se que o melhor meio de realizá-la é pelo questionamento dos jornalistas da área. A aplicação da técnica Delfos – que consiste em entrevistas estruturadas com especialistas via e-mail (Woundenberg, 1991, p. 133) – viabilizou a consulta simultânea a um grupo de jornalistas científicos dispersos geograficamente no território brasileiro. Na análise dos resultados foram considerados os dez jornalistas que participaram das duas etapas da pesquisa (primeiro e segundo questionários).

Outros três profissionais foram descartados porque, além de não responderem ao segundo questionário, não confirmaram suas respostas mediante a apresentação dos argumentos dos colegas a respeito do primeiro questionário, conforme prevê a técnica (Idem). Nesta pesquisa, Delfos foi aplicada com anonimato parcial, uma vez que quatro dos dez especialistas do painel estão vinculados ao curso de especialização em jornalismo científico do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), da Unicamp. Nas análises enviadas aos especialistas, estes foram identificados com letras (que indicam o grupo) e números (que identificam o jornalista, conforme a ordem alfabética), da seguinte maneira:

Grupo A (jornalistas do mercado) - A1, A2, A3 e A4;

Grupo B (alunos do Labjor) - B1, B2, B3

Grupo C (professores de jornalismo científico) - C1, C2, C3

Como o presente trabalho restringe-se à cobertura de temas das ciências naturais e exatas e dos relativos à Economia, incluiu-se, entre os procedimentos propostos por Meyer, Metodologia das Ciências da Natureza. Assim, a elaboração dos questionários levou em conta os seguintes fundamentos e procedimentos: "saber como e onde encontrar informações" (1), "saber avaliá-las e selecioná-las" (2), "saber transmiti-las" (3), "saber analisá-las" (4) "tornar-se especialista" (5), "uso de Internet e base de dados" (6), "aplicar metodologias das Ciências Sociais" (7), "aplicar metodologias científicas" (8) "uso de estatística" (9) "produzir argumentos e contra-argumentos" (10).

O Jornalismo de Precisão, cujo conceito ainda é pouco difundido no país, não foi mencionado junto aos entrevistados: tomou-se esta decisão por perceber que esta omissão não traria qualquer prejuízo à sondagem.

3. RESULTADOS

3.1. Primeira Parte

Segue a análise das questões da modalidade "Considerando a realidade brasileira, pode-se afirmar que, de maneira geral, os jornalistas e editores de ciência e tecnologia":

  • Sabem onde e como encontrar informações de modo a produzir ou complementar suas pautas?
  • Têm o conhecimento necessário para avaliar o interesse jornalístico de pesquisas e descobertas científicas e selecionar as de maior interesse público?
  • Sabem de que forma transmitir as notícias de ciência e tecnologia para que atinjam o público interessado?
  • Utilizam métodos científicos (amostragem, tabulação etc.) para analisar e interpretar informações sobre ciência e tecnologia?
  • Têm perfil de especialista?
  • Utilizam Internet e bancos de dados para coletar dados complementares em suas matérias?

Os jornalistas do mercado (grupo A) foram unânimes em responder afirmativamente à questão 1, conforme mostra a Figura 1 Na avaliação dos especialistas deste grupo, isto significa que os jornalistas brasileiros que se dedicam exclusivamente à área de ciência e tecnologia têm bons contatos com pesquisadores e assessorias. Conforme ressalva um deles, as pautas nem sempre são boas.

Figura 1 (freqüência por grupo das respostas afirmativas à questão 1do primeiro questionário)

A maior parte dos professores de jornalismo científico (66,6%, dois em três) compartilha das opiniões do grupo A, e respondeu positivamente à questão. Mesmo favorável à afirmativa, contudo, o grupo dos professores pondera que as universidades e centros de pesquisa são subutilizados. Para o único professor que discorda da maioria, assinalando negativamente a afirmativa, a falta de preparo da comunidade científica no atendimento à imprensa dificulta o acesso às fontes para a grande maioria dos jornalistas científicos.

Entre os alunos do curso do Labjor a opinião de que os jornalistas brasileiros da área de ciência e tecnologia dispõem de tais habilidades é reiterada por apenas um dos três integrantes do grupo (33,3%). Ao avaliar o estágio atual do jornalismo científico do país, a maioria dos integrantes do grupo B conclui que, de forma geral, os profissionais da especialidade dependem muito dos mecanismos de distribuição de informações científicas e tecnológicas. Dois dos alunos concordam com as ponderações dos professores: argumentam que os jornalistas científicos não especializados desconhecem pesquisas de institutos científicos e de empresas privadas e, por isso, procuram fontes não especializadas.

Também para o grupo B o "saber como e onde encontrar informações" está relacionado ao cultivo das relações com os cientistas. No entanto, para este grupo de especialistas, o background dos jornalistas científicos é outro fator que influencia a maior ou menor habilidade na busca de informações.

A maioria dos especialistas do mercado (75%, três em quatro) entende que os jornalistas científicos em geral têm conhecimento necessário para selecionar as notícias científicas de maior interesse, conforme mostra a Figura 2. Para o grupo A, este é um dos pré-requisitos para se fazer boas publicações de jornalismo científico. A afirmativa também ganhou a adesão de dois dos três professores de jornalismo, que representam 66,6% dos jornalistas do grupo C.

Figura 2 (freqüência por grupo das respostas afirmativas à questão 2 do primeiro questionário)

Os argumentos discordantes são bastante semelhantes nos três grupos do painel. O grupo B, que lidera as opiniões contrárias à afirmativa, avalia que os meios de comunicação divulgam pouco a ciência brasileira, restringindo-se a publicar notas estrangeiras de forma sensacionalista. Atribui isso à falta de conhecimento dos profissionais. Tanto o discordante do grupo A quanto o do grupo C argumentam que, devido ao preparo insuficiente e à baixa cultura científica, a produção jornalística fica limitada ao que a comunidade científica repassa.

O grupo B também avalia que, de forma geral, a imprensa dá preferência a assuntos curiosos, que atraem a atenção pública, em detrimento de outros mais importantes, como saúde preventiva. Para os alunos do Labjor, embora as notícias de ciência atualmente difundidas tenham importância, muitas pesquisas interessantes ficam de fora, principalmente entre as desenvolvidas por pesquisadores brasileiros. Falta utilizar o jornalismo investigativo para decifrar, nos projetos de pesquisa da área, o interesse público. Nesta última avaliação, referem-se diretamente ao gênero jornalístico que mais se aproxima do Jornalismo de Precisão.

O grupo de professores considera que a qualidade das notícias de ciência e tecnologia divulgadas pela imprensa varia muito de um veículo para o outro: Algumas revistas, jornais de circulação nacional e alguns programas de televisão que se destacam neste sentido têm dado destaque para assuntos relacionados à alimentação, informática, astronomia, genética e ecologia. Na opinião de um deles, os meios de comunicação não estão contribuindo com a formação de uma cultura favorável ao jornalismo científico no país, na medida em que não costumam relacionar as descobertas científicas e tecnológicas às condições de vida das pessoas.

Ao comparar-se as opiniões dos especialistas em relação aos dois primeiros fundamentos analisados, verifica-se que as respostas coletivas repetem-se quase que integralmente. A semelhança entre as opiniões dos grupos A e C pode ser visualizada nas figuras 1 e 2. Enquanto os jornalistas do mercado e os professores de jornalismo tendem a assumir posicionamentos parecidos quando questionados objetivamente sobre os fundamentos do Jornalismo de Precisão, pendendo fortemente para uma avaliação positiva do jornalismo científico brasileiro, os especialistas do grupo B são mais propensos a enxergar imperfeições na prática dessa especialidade. Há que se observar , nos argumentos dos especialistas, uma proximidade entre as razões expressas pelos alunos do Labjor e as ressalvas feitas pelo grupo C, que tem entre os seus integrantes um professor do Labjor.

Em relação ao terceiro fundamento avaliado, que se refere à transmissão de informações, o quadro das opiniões já traz algumas variações: "De maneira geral, os jornalistas e editores de ciência e tecnologia sabem de que forma transmitir as notícias para que atinjam o público interessado?" Nas respostas a esta pergunta, chamam a atenção as opiniões do grupo B: embora tenha sido o mais crítico em relação à prática da especialidade no Brasil, neste quesito foi o mais otimista. Para dois dos três alunos do Labjor (66,6%), os jornalistas dominam esta habilidade (Figura 3).

No entanto, o grupo ressalva que ocorrem falhas na tradução da jargão científico para a linguagem coloquial e nas tentativas de abordar os fatos pelos aspectos que os vinculam à realidade dos leitores, ouvintes e telespectadores.

Em relação à transmissão de informações, a opinião majoritária do grupo C manteve-se a mesma das avaliações anteriores. De acordo com as opiniões de dois dos três professores de jornalismo científico (66,6%), no Brasil os profissionais dessa especialidade sabem como transmitir notícias científicas e tecnológicas de forma acessível ao público não especializado. No ponto de vista deles, esses profissionais entendem tanto da transmissão dos assuntos científicos e tecnológicos quanto os jornalistas de outras editorias sabem como transmitir as notícias das áreas correspondentes.

Se para o grupo B a transmissão de informações é o fundamento melhor assimilado pelos jornalistas científicos brasileiros - entre os já avaliados -, os jornalistas do mercado ficaram equilibradamente divididos a este respeito. Do primeiro para o segundo fundamento, as opiniões do grupo A deixaram de ser consensuais e, na análise da transmissão de informações, suas respostas afirmativas ficaram restritas à metade dos especialistas. Tanto os que persistiram no "sim" quanto os que assinalaram "não" avaliam que a transmissão de informações é a tarefa mais difícil do jornalismo científico: colocar a informação científica apurada em termos claros, acessíveis e interessantes ao grande público. No modo de ver dos que responderam negativamente à questão, contudo, os jornalistas não dispendem esforços suficientes para transmitir bem as informações por subestimar o interesse do público por notícias científicas e tecnológicas.

Figura 3 (freqüência por grupo das respostas afirmativas à questão 3 do primeiro questionário)

O fundamento que recebeu o menor grau de confirmação do painel de especialistas - em relação à sua incorporação na prática corrente do jornalismo - foi a análise de informações científicas e tecnológicas com o uso de métodos científicos. Apenas um dos dez especialistas consultados considera que os jornalistas científicos do país utilizam métodos científicos (amostragem, tabulação etc.) para analisar e interpretar informações do universo científico (Figura 4). À exceção deste professor de jornalismo científico - que inclusive faz referência ao Jornalismo de Precisão -, todos os jornalistas que responderam a esta questão (apenas um dos jornalistas a deixou em branco) avaliam que a utilização de tais métodos não é comum na prática atual da especialidade.

Figura 4 (freqüência por grupo das respostas afirmativas à questão 4 do primeiro questionário)

Questionados sobre o perfil geral dos jornalistas científicos brasileiros, sete dos dez especialistas responderam que tais profissionais não são especialistas (Figura 5). No contexto desta pesquisa, especialistas são os jornalistas que atuam na área de ciência e tecnologia e se dedicam a especializar-se nesta especialidade, objetivando melhorar seu desempenho por meio da prática, do cultivo das fontes, da atualização constante e do estudo, formal ou informal, dos conhecimentos que o auxiliam na profissão. Conforme mostra a figura abaixo, somente um especialista de cada grupo avalia que os jornalistas brasileiros da área de ciência e tecnologia têm este perfil.

Figura 5 (freqüência por grupo das respostas afirmativas à questão 7 do primeiro questionário).

Para cada grupo do painel, a resposta afirmativa de um único componente tem representatividade diferente: enquanto para os grupos B e C tal opinião significa 33,3% do total, no grupo A essa dissidência representa 25% das avaliações dos especialistas.

A utilização de Internet foi confirmada por 90% dos especialistas, enquanto o uso de bancos recebeu confirmação de 100% (entre os nove especialistas que responderam à questão). Tanto o jornalista que não respondeu ao item bancos de dados quanto o que respondeu negativamente ao uso de Internet são do grupo B, de alunos do Labjor.

3.2. Segunda Parte

No entanto, essas foram as avaliações da situação presente. Ao traçar perspectivas para o futuro da prática do jornalismo científico, o painel recomenda a aplicação dos fundamentos e dos procedimentos do Jornalismo de Precisão. Todos os especialistas consideram importante que os jornalistas científicos brasileiros "saibam como e onde encontrar informações" e "assumam postura analítica em relação aos assuntos de ciência e tecnologia". Nove deles vêem importância no esforço dos jornalistas científicos em "tornar-se especialistas" (o jornalista dissidente é do grupo A) e sete acham importante que "produzam argumentos e contra-argumentos" (dois dos dissidentes são do grupo A e o outro do grupo C).

Para comparar os níveis de importância indicados pelo painel a cada um estes fundamentos, atribuíram-se os valores de 5, 3 e zero às respostas "muito importante", "importante" e "sem importância", respectivamente. Assim, os fundamentos avaliados tiveram a seguinte ordem de importância:

1 - Os jornalistas científicos devem saber como e onde encontrar informações (48 pontos)

2 - Os jornalistas científicos devem tornar-se especialistas (41 pontos)

3 - Os jornalistas científicos devem assumir postura analítica diante dos fatos científicos e tecnológicos (38 pontos)

4 - Os jornalistas científicos devem produzir seus próprios argumentos e contra-argumentos (23 pontos)

Procurou-se comparar o fundamento que representa a essência do Jornalismo de Precisão, - "produção de argumentos e contra-argumentos" - com outros cuja importância já é bastante reconhecida no meio jornalístico. Ficou confirmada à sua menor recomendabilidade em relação aos outros requisitos, os quais são amplamente discutidos em relação jornalismo científico.

Quanto aos procedimentos do Jornalismo de Precisão, Metodologia das Ciências da Natureza e Estatística receberam adesão de 90% (ambos os itens receberam uma resposta "sem importância" do grupo C). Já Metodologia das Ciências Sociais obteve 80% de recomendabilidade (um membro do grupo A e um do grupo C consideram este item "sem importância"). Atribuindo-se os mesmos valores usados na comparação dos fundamentos, obteve a seguinte ordem de importância desses procedimentos: Metodologia das Ciências da Natureza (33 pontos); Metodologia das Ciências Sociais (30 pontos) e Estatística (27pontos).

4. CONCLUSÕES

Os fundamentos e procedimentos do Jornalismo de Precisão alcançaram altos índices de recomendabilidade entre os especialistas. Mesmo o mais polêmico deles, "produção de argumentos e contra-argumentos" teve a sua importância reconhecida por 70% deles. A aceitação desta proposta pelos jornalistas científicos brasileiros deve aumentar na medida em que se amplie a divulgação do Jornalismo de Precisão no país. Mesmo não constando da proposta original do Jornalismo de Precisão, Metodologia das Ciências da Natureza mostrou ser ainda mais importante que Metodologia das Ciências Sociais, recebendo três pontos a mais, e que Estatística, em relação a qual obteve mais seis pontos.

A avaliação dos especialistas mostra que os jornalistas que cobrem ciência e tecnologia no Brasil encontram obstáculos para incorporar à pratica da especialidade os fundamentos e procedimentos considerados. Em relação a "saber como e onde encontrar informações", o maior deles é a dificuldade de acesso às informações, relacionada à falta de preparo da comunidade científica no atendimento à imprensa; ao desconhecimento dos jornalistas científicos a respeito de pesquisas desenvolvidas em instituições e empresas e a subutilização das universidades e de outros centros de pesquisa como fontes de informação.

Aplicar os fundamentos e usar os instrumentos do Jornalismo de Precisão é uma maneira de enfrentar as dificuldades citadas na medida em que os profissionais das assessorias de imprensa e dos meios estarão melhor capacitados para identificar pesquisas importantes. Quanto à falta de preparo da comunidade científica, esta poderia ser compensada com serviços eficientes de suas assessorias.

Apesar de a maioria dos grupos A (75%) e C (66,6%) considerarem que os jornalistas científicos brasileiros sabem avaliar o interesse jornalístico de pesquisas científicas de modo a escolher aqueles de maior interesse público, a cobertura jornalística de ciência e tecnologia não é satisfatória. Conforme apontam os especialistas de todos os grupos, mesmo o de professores e o de jornalistas do mercado, a prática do jornalismo científico apresenta deficiências, algumas possíveis de se combater com o Jornalismo de Precisão. Como sugere o próprio painel, é preciso investigar o que é de interesse público nas pesquisas científicas, especialmente as desenvolvidas nacionalmente.

Se abordarem as pesquisas partindo de modelos teóricos, como propõe o Jornalismo de Precisão, os jornalistas científicos terão maiores possibilidades de produzir notícias e reportagens que dêem aos leitores e espectadores e ouvintes versões mais completas dos fatos científicos e tecnológicos. Na medida em que procurarem evidenciar o significado das investigações científicas, em seus esquemas teóricos, a cobertura jornalística será menos fragmentada e sensacionalista. A destreza em selecionar as notícias de interesse público, que segundo a maioria dos especialistas qualifica os jornalistas científicos brasileiros em geral, pode ser aguçada com o uso das ferramentas do Jornalismo de Precisão. A partir de então, informações importantes para a vida das pessoas vão competir com os assuntos curiosos.

Embora a maioria dos especialistas (60%) considere que os jornalistas científicos sabem como transmitir as informações científicas, todos concordam que esta é a tarefa mais difícil do jornalismo científico. Partindo do princípio de que o aperfeiçoamento do trabalho de apuração tem reflexos na emissão de informações, aplicando o Jornalismo de Precisão os profissionais avançarão nesta tarefa.

Na avaliação da grande maioria dos especialistas, os jornalistas científicos brasileiros já utilizam bancos de dados (100%) e Internet (90%). Entretanto, não se investigou a respeito da forma de utilização destes recursos e sobre a sua importância na elaboração das matérias. Seria preciso uma pesquisa mais detalhada para verificar se a Reportagem Assistida por Computador (CAR), variante do Jornalismo de Precisão, é usada por jornalistas científicos. Neste caso não se consideraria os jornalistas científicos em geral - que certamente não se utilizam deste recurso - mas se procuraria identificar condutas isoladas com este perfil. Ainda assim, a utilização de Internet e de bancos de dados na busca de informações já representa um primeiro passo para a aplicação da CAR.

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

MEYER, P. Periodismo de precision. Barcelona, Bosch, 1993. Tradução José Luis Dader, 329 p.

WOUNDENBERG, F. An evaluation of Delphi. Tecnological Forecasting and Social Hange, New York, v. 40, n. 2, pp. 131-150, 1991.


* Lara Viviane Silva de Lima - Nilson Lemos Lage. Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, Área de Mídia e Conhecimento. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC, Brasil. Ambos son colaboradores de Sala de Prensa.


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